jardim-de-flores

O vento leva as folhas secas, vêm as flores

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Por conta de sermos, como cultura, abarrotados de razões históricas, tradicionais, prezadas, aclamadas, comparadas e relativas, são poucos, até mesmo nas fileiras dos mestres em filosofia, os que pensam profundamente e desembaraçados, os que meditam. Não são raros os que apenas lembram das suas intuições e visões, demais aportes cognitivos da contemplação, imagens e significados que aparecem no repouso, apenas acidentalmente, indo dormir com estômago cheio ou outros desconfortos. Os sonhos, as visões e intuições, próprios e verdadeiros, profundos, transcendem as rotas habituais da cognição e a logicidade dos enunciados onde se quer distinguir tudo através de proposições cuja não contraditoriedade, bem no fundo, enraíza na vã tentativa de sempre querer afirmar e diferenciar, categoricamente, um sujeito imaginado autonômico, observando e percebendo objetos e utilidades ilusoriamente imaginados outros, ‘coisas em-si’. Uma incômoda carência de saber assentada na ideia prepotente de que o que existe para se sentir, tocar e abraçar, é menor, inferior ao que se pode cogitar em gabinete; nessa cultura em que vivemos, desconhece-se a essência que ajunta e coliga o estado sociopolítico de ser ao ser natural, as coisas da visão, do sentimento, da razão, dos gestos às realizações privadas e públicas, a junção do estado-de-ser e do ser-do-estado, cuja harmonia se revela na verdadeira intuição.

Parodiando e retificando o que escreve Voltaire em Le philosophe ignorant XXIV: “(…) les hommes se conduisent par la coutume et non par la métaphysique (os homens se conduzem pelo hábito e não pela metafísica), digo: uma vez marcado e batizado, adentrado numa cultura e ritos correspondentes, os homens que não costumam contemplar e meditar, os que mal pensam por renegarem a sua intuição juvenil e essencial, ou pré-predicativa, são conduzidos pelos hábitos, através de tabuadas e cartelas, sem compreender e dominar a metafísica que os ordena e condiciona.

Bem examinado ou não, as relações profundas que se constituem entre a consciência e a natureza fundamentam a qualidade política do processo existencial. A definição e apreciação dessas relações engendram perspectivas filosóficas fundamentais, que determinam a conduta dos humanos, logo, a política das nações, a distribuição e usufruto dos bens e valores. Essas perspectivas equacionam as dificuldades e problematizações existenciais, regimentam as vocações, dedicações, ordenamentos societários, tempos de paz e tempos de guerra. Não passa desapercebido, por ninguém dotado de sensibilidade e bom-senso suficiente, ciente de alguns vislumbres históricos, que as extrapolações e projeções idealistas e futuristas, típicas das teologias onde se imagina e advoga uma consciência acidentalmente metida na natureza, incentivam doutrinas onde, nas mesmas referências, se conjugam ideologias, políticas e justiças acidentais, insensíveis e autoritárias.

Na infância própria, na época das primeiras aventuras, conquistas e grandes descobertas marítimas; nos fragmentos da filosofia primordial dos pré-socráticos e antigos mestres de saber; nesses lugares onde trocas sinceras, sorrisos e olhares esperançosos aconteciam; nos confins embrumados dessa bolha idealística, antes dos descaminhos, bifurcações e encruzilhadas, na origem, nos lumes e portais introdutórios, erguiam-se, em diversas dimensões, promissórios projetos de verdade, circulavam moedas lastradas em coisas úteis e sólidas, usufruíam-se valores em que o ouro e as pedras preciosas, ostentados em objetos de arte, decoravam casas e jardins. Valia o momento em que se apreciava e saboreava contemplando a magnificência das flores, das fontes e pomares. Era o tempo da sua infância onde tudo fazia sentido, porque tudo comungava e se conhecia de imediato, fusionando a consciência amorosa e lúcida, estética e abstrata, com as formas das coisas, cujas linhas, cores, sabores, perfumes e sons deslizavam em harmonia nas ondas vibrantes do próprio pensamento.

Deixar de encontrar e celebrar, espontaneamente, em si mesmo e por si mesmo, o valor da vida nas suas dimensões mais amplas e universais, embrutecido pelos impactos das doutrinas que renegam o que é óbvio três vezes – afirmando não ser o nascido parte da totalidade entendida como suprema e divina; invocando um espírito alheio e separado do corpo infinito da realidade; advogando uma origem e enraizamento locados além do mundo que se pode conhecer e saber – leva a uma vereda de estranhamento e perdição, a uma inércia desatenta, a um torpor que estamos sofrendo e amargurando, na proporção em que escolhemos deixar de sondar as nossas intuições e visões, desistindo de meditar e contemplar, de pensar profundamente, por omissão, carência de resiliência, desinteligência ou simples insensibilidade.

Sabemos, do fundo dos nossos corações, na seiva das nossas raízes, nos vislumbres das visões que ainda podemos ter no halo desses sonhos embrumados, que poderia ser diferente. Uma suspeita inquietante, proporcional ao desassossego que acontece por ter que viver o que não se é, exige uma profunda discussão para desvendar e deixar claro que, para todos os viventes, seria bem melhor que não fosse assim.

Envolvido nessa relação rompida, o ser humano se encontra artificiosamente afastado da relação unitária e comunhão psicofísica natural e espontânea, para vislumbrar projetos e criar objetos a partir de um distanciamento cultista da sensibilidade e exacerbação da razão exercitada em coordenadas lógicas, investindo força vital em efemeridades e utilidades, construindo estruturas que consomem e objetivam, reforçando a fragmentação da consciência, enfraquecendo a vitalidade.

Pensando bem, artificial é observar tudo como se fosse um visitante do além mundo, um ser sem raízes cósmicas, um alienígena destituído de respeito. A ação natural e precípua do ser humano só pode ser embasada em manipulações cientes, gestos e toques pensados e sensoriais, as atividades mais belas e acertadas frutificam quando as coisas utilizadas, preparadas, aparelhadas, são tratadas com plena atenção e consideradas como prolongamentos do próprio corpo – nesse caso, cuidar-se-ia das plantas, grama, árvores e construções, como as mulheres cuidam dos cabelos. Sentir-se vivo e presente, significante, impregnado de realidade, aconteceria com uma força similar à das águas de rocha que se lançam nos vales, fertilizando a vida. Atento, ligado, respeitando a fonte que alimenta e cria, o estado-de-ser sustentaria a sua original lucidez, lembraria os saberes imediatos e pré-predicativos que originam da comunhão experiencial, da imersão psicofísica natural. É esse o caminho vital, a via que empreendida com a totalidade da inteligência, cinestésica, sensível e razoável, permitirá uma retomada de consciência, uma percepção de raiz engajada com o ato de ser em contexto.

Conhecer prezando a união firme e inelidível da consciência e do mundo, não negando essa junção impermeável aos silogismos, por isso paradoxal, faz uma diferença monumental, civilizatória. É a diferença que há entre conhecer o mar de um monte elevado e distante, descrevendo as cores, o movimento, e conhecer o mar nadando com os peixes, imerso nele. Um conhecimento de contato imediato, que desliza na textura do real, vencendo o desencaixo artificioso e cult equacionado nas articulações subjetivistas, para conhecer o grande momento onde a duração e dimensão absoluta revelam-se em todas as suas sensíveis e sensatas espessuras. Trata-se de um saber talentoso, de uma arte de conhecer típica dos animais, das crianças, dos artistas mais sensíveis, dos poetas inspirados, algo genuíno: mas, notoriamente ausente em muitos pensadores, atrofiado por desuso e desprezo. Admirar tudo em dimensões amplas onde se agregam à totalidade da experiência, as apreciação estéticas e a capacidade de abstrair, sem nada desconsiderar e desprezar de significativo, antes de pensar a respeito do que se vive e do que se é, tem sido acusado e denunciado de ‘psicologismo’, ‘antropologismo’ – como se sentir,  intuir, imaginar e visionar fossem especialidades avessas à técnica filosófica, como se um ser humano, lúcido e natural, não pudesse ser um filósofo.

Quando se quer peneirar a ‘pureza das ideias’ renegando as comunhões do sentir profundo, o que já é puro por ser inteiro e natural, se torna artificioso e fragmentado, insensível e altaneiro, afastado do que é real, falso, o contrário do que se prega. A pureza que se necessita é a que foi banida: é a verdade e alegria das crianças e dos povos primitivos; uma pureza verdadeira e real que agrega em união firme e indissociável o pensamento e o sentimento numa lucidez que existe sem razão necessária, sem meta objetiva e sem querer viver além; apenas nessa ordem essencial o verbo maior e regente poderá ser amar.

Na perspectiva filosófica monista, no sentido dessa comunhão panteística que reconhece a convergência unitária da consciência e do mundo, é no momento presente, assentado na totalidade da criação, universal e cósmica, enraizado em dimensões infinitas e princípios unificadores que, numa graça plena e perfeita, nada deixando de fora, se colocam todas as pretensões existenciais, do centro mais original, gonadal, até os confins, igualmente, estéticos e abstratos: revelações da razão sensível e manifesta ao longo de todo o eixo existencial que se equaciona das raízes ancestrais até as dimensões visionárias, em que se desenvolvem, em processos criativos e infindos, todas as energias cósmicas. A natureza que se manifesta pertence ao vivente e carrega em si os potenciais da vida. Trata-se de uma natureza lastrada numa atualidade e presença que se contempla e se aprecia a partir de si.

Mesmo se esfacelada, desmembrada, a grandiosidade se manifesta: pequenas frações do belo jardim da verdadeira cidade, como deveriam existir à luz da razão natural, ainda podem ser encontrados nas curvas de alguns rios, onde o fluxo das águas teima em desenhar melhor o justo perfil das margens apesar dos diques. Nessa perspectiva metafísica cosmo-existencial, os valores se usufruem no presente que é real e grandioso, apesar das desfigurações políticas e citadinas instituídas pelos que extrapolam e mutilam a vida da sua seiva e substância vital, substituindo as simplicidades e o bom-senso dos povos ancestrais em deslocamentos e estereotipias teocráticas e sociocráticas.

Acomodados em edifícios remanescentes de impérios, catedrais projetadas em arquiteturas visionárias, assentados em púlpitos, os arautos do teísmo, desprezam, desnaturam e desintegram, a relação unitária da consciência e do cosmos, em prol de uma vida imaginada extracorpórea e um mundo extrafísico; substancializam o absoluto e espiritualizam os sujeitos para apontar um caminho sobrenatural onde no além, em esferas destituídas de mensuras sensíveis, se encontraria a paz e a felicidade; os representantes desse projeto sobrenaturalista, anunciado por escolhidos e referente a seres essencialmente diversos, demandam uma dupla rendição: do bom-senso a favor de uma fé em visões desentendidas, da razão a favor da crença em narrativas dogmáticas.

Efetivamente, a desunião teísta descarta e pune a apreensão imediata e contemplação da estrutura unitária do real, para motivar dois desentendimentos e desvios potencialmente fatais à vida no planeta: uma objetificação da realidade, mercado globalizado, monoculturas e megalópoles, reduzindo seres humanos a recursos e números; um deslocamento da esperança em direção ao além: instaurando-se uma relação vital desnaturada e fantasmagórica, semeadora de depressão, geradora de anomalias urbanísticas e políticas, processos de desertificações e aridificações. Nessas equações existenciais duvidosas e incertas, cada vivente é levado a decidir: posicionar-se como nasceu, rebento da grande estrela e terra, ou como foi batizado nas culturas que crucificam a rosa dos ventos e renegam a realidade da vida a favor da morte.

A esperança existe em cada um dos viventes, posicionado numa legitimidade e ordem explicitadas nos átomos constituintes, reside um gênio natural, acordado ou adormecido, em alguma posição intermediária, mas apto a se manifestar de imediato: uma presença portentosa que comove por conter a mesma e idêntica força e beleza da natureza.

Tornou-se emergencial reaprender a conhecer, reencontrar o saber e verbo perdido, reconhecer o que é real para fundamentar uma nova visão e boa política onde a riqueza e glória de viver possam assentar no lugar adequado, no momento em que se vive: a eterna duração do presente que se demonstra e revela nas ideias ampliadas, igualmente estéticas e abstratas, aos que sabem conhecer de imediato, antes de pensar a respeito, e aos que sabem pensar de acordo com o que se denota bem, sendo o que se é de verdade: uma realização cósmica onde se manifesta a grandeza da Santa e Sagrada Natureza que somos, cada um trazendo em si uma cota desses mistérios que se comungam e que nos vitalizam.

What´s Political Conscience?


Dry leaves are taken away by the wind, then flowers bloom

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Because we are, as culture, overfilled with historical, traditional, appraised, acclaimed, compared and relative reasons, few are, even on the lines of philosophy masters, those who, deeply and freely think, those who meditate. They are not rare those who only  remember their intuitions and visions, other contemplation cognitive contributions,  images and meanings appearing during rest, only by accident, when one goes to sleep with the stomach full, or with other discomforts. The dreams, visions and intuitions, proper and truthful, profound, transcend the usual routes of cognition and the logical structure of statements, where one wants to distinguish everything through propositions whose non-contradictoriness, deeply establishes itself in a vain attempt of always willing to categorically assert and differentiate an imagined and autonomic subject, observing and perceiving objects and utilities illusively conceived as others, ‘things-in- itself’. An uncomfortable needfulness of knowing settled on the all-powerful idea of what exists to be felt, touched and embraced, is smaller, less important than what can be imagined in an office; on this culture we live in, one does not know the essence that joins and colligates the sociopolitical state-of-being to the natural living being, the things of vision, of feeling, of reason, from the gestures to the private and public accomplishments, the junction of the state-of-being and of the being-of-the-state whose  harmony reveals itself on the actual intuition.

Parodying and rectifying what Voltaire wrote in ‘Le philosophe ignorant XXIV:´ “(…) les hommes se conduisent par la coutume et non par la métaphysique ‘(The Ignorant Phylosopher XXIV’: “(…) (men behave themselves by the habits, not by metaphysics)”, I assert: once marked and baptized, entered into corresponding culture and rites, men who aren’t used to contemplate and meditate, those who hardly think for they deny their juvenile and essential or pre-predicative intuition, are directed by habits, through multiplication tables and tickets, without understanding and dominating the metaphysics that ordains and regulates them.

Well examined or not, the deep relationships which are developed between conscience and nature, establish the political quality of the existential process. The definition and appreciation of these relationships cause to imagine fundamental philosophical perspectives, determining the human being´s behavior, and immediately, the nations´ policy, the distribution and usufruct of goods and values. These perspectives equate the existential difficulties and problematic situations, regulating vocations, dedications, societarian ordainments, times of peace and war. It´s evident to anyone endowed with sufficient  sensitiveness and good-sense, aware of some historical glimpses, that the idealistic and futuristic extrapolations and projections, typical of the theologists where one can imagine and support  a consciousness accidentally embedded in nature, estimulate doctrines where, on the same references, political ideologies and accidental, ruthless and authoritarian justices are simultaneously joined.

In tender age itself, at the time of the first adventures, conquers and great maritime discoveries; on the pre-Socratic and ancient masters of knowledge primordial philosophy fragments; in these places where sincere exchanges, smiles and hopeful looks used to happen; in the hazed boundaries of this idealistic bubble, prior to the misleadings, bifurcations and crossways, at the origin, in the introductory lights and façades, promising truthful projects used to emerge in several dimensions, coins, ballasted on useful and solid things used to circulate, gold and precious stones, displayed on art objects decorated houses  and gardens. The moment when one could appreciate and flavor, contemplating the splendor of the flowers, fountains and orchards was worthwhile. It was the time of your childhood when everything used to make sense, because everything communed and was immediately acknowledged, fusing the amorous and lucid, aesthetic and abstract conscience, with the forms of the things, whose lines, colors, flavors, aromas and sounds used to harmoniously slide on the vibrating waves of thinking itself.

To avoid spontaneously encounter and celebrate in itself and by itself, the value of life on its widest and universal dimensions, brutalized by the doctrines´ impacts three times denying what´s obvious – asserting that he/she who has been born is not part of the entirety understood as supreme and divine; invoking a strange spirit separated from the reality´s endless body; defending an origin and rooting placed beyond the world one might acknowledge and understand – leads to an unfamiliarity and perdition trail, to an absentminded inertia, to a numbness we´re suffering and grieving, as we choose not to appraise our intuitions and visions, quitting to meditate, contemplate and deeply think, neglectfully, due to lack of resiliency, misunderstanding or simple unfeelingness.

We acknowledge, from the bottom of our hearts, in the sap of our roots, in the shimmers  of the visions we still can have on the halo of these misty dreams, that it could be different. An annoying suspicion, proportional to the restlessness occurring just by having to live what one isn´t, requires a profound discussion to unveil and leave it clear that, to all living beings, it would be much better if it weren’t so.

Involved on this broken off relationship, the human being finds him/herself deceptively separated from the unitarian relationship and natural and spontaneous psychophysical communion, to shimmer projects and create objects from a cultist withdrawal of sensitivity and exacerbation of logical reason, investing vital force on ephemeralities and utilities, building consuming and objectifying structures, reinforcing conscience´s fragmentation, and weakening vitality.

Further considering, artificial is to observe everything as if you were a visitor from the other world, a being without cosmic roots, an alien deprived of respect. The human being´s natural and foremost action can only be based on conscious manipulations, thoughtful and sensorial gestures and touches; the most beautiful and wise activities fructify when all used, prepared and equipped things are treated with full attention and considered as extensions of his/her own body – in this case, one would take care of plants, grass, trees and constructions, as the women take care of their hair. Feeling alive and present, meaningful, impregnated with reality, would occur with a force similar to that of the rock waters sprouting from the valleys, fertilizing life. Thoughtful, connected, respecting the fountain that feeds and creates, the state-of-being would sustain its original brightness, would remember the immediate and pre-predicative wisdoms originating from the experimental communion, from the natural psychophysical immersion. This is the vital way, the route which, if kinesthetically, sensibly, and reasonably accomplished with full intelligence, will allow a conscience´s   retrieval, a root perception engaged with the act of being in context.

Knowing, esteeming the conscience´s and the world´s firm and unreadable union, not denying this syllogisms impermeable junction, paradoxical for this reason, makes a civilizing magnificent difference. It is the difference that exists between knowing the sea from a high and distant mountain, describing the colors, the movement, and know the sea swimming with the fish, immersed into it. An immediate contact knowledge that slides into the texture of the real, triumphing over the skillful and cult dislocation equated on the subjectivist articulations, in order to know the great moment where the duration and absolute dimension reveal themselves in all their sensitive and sensible thicknesses.  It deals with a talented knowledge, of an art of knowing typical of the animals, children, most sensitive artists, inspired poets, something genuine: but, notoriously absent in many thinkers, atrophic due to disuse and disdain. To admire everything on huge dimensions where the entire experience, the aesthetic appreciations and the capacity to abstract are aggregated,  without taking into consideration and despising what´s meaningful, prior to thinking about what one lives and is, has been accused and denounced as ‘psychologism’, ‘anthropologism’ – as if feeling, intuitively thinking, imagining and visioning were specialties contrary to the philosophic technique, as if a lucid and natural human being couldn´t be a philosopher.

When one wants to sieve the ‘purity of ideas’ denying the communions of the deep feeling, what is already pure because it´s entire and natural, it becomes skillful and fragmented, insensible and soaring, distant from what´s real, false, just the contrary of what one preaches. The purity needed is that one which was banished: it´s the children´s and primitive people´s truth and joyfulness; a truthful and real purity aggregating into a firm and unsociable union the thinking and the feeling in a brightness existing without needful reason, without objective aim and without willing to live far beyond; only on this essential order the major and ruling verb might be ‘to love’.

On the monist philosophic perspective, in the sense of this panentheist communion recognizing conscience´s and the world´s unitarian convergence it is, at the present moment, seated upon the entirety of the universal and cosmic creation, rooted into endless dimensions and unifying principles that, in a full and perfect gracefulness, nothing is left outside, from the most original, gonadal center, till the equally aesthetic and abstract boundaries: revelations from the sensible and evident reasoning along the entire existential axis that equates itself from the ancestral roots to the visionary dimensions, on which, in creative and endless processes, all cosmic energies are developed. The manifesting nature belongs to the living being and carries in itself all life´s potentials. It is nothing but a nature ballasted on a  present time and presence which is contemplated and appreciated as of  yourself.

Even if broken up in pieces, dismembered, grandiosity manifests itself: small fractions of the true city beautiful garden, as should exist at the light of natural reason, can still be encountered on the curves of some rivers, where the water streams insist in better designing the just profile of the banks despite the existing dams. Based on this metaphysical cosmos-existential perspective, values usufruct themselves in the present moment which is real and grandeur, notwithstanding the political and unban disfigurements established by those who extrapolate and cripple the life of their vital sap and substance, replacing the simplicities and good-sense of the ancestral people in theocratic and socio-cratic displacements and stereotypies.

Being comfortably installed in empire remaining buildings, cathedrals designed in visionary architectures, seated in pulpits, the theism heralds despise, denature and disintegrate conscience´s and cosmos´ unitarian relationship, in favor of an extra-corporeally imagined life and an extra-physical world; they substantialize the absolute and spiritualize the subjects in order to indicate a supernatural way where, in the other world, in spheres deprived of sensible measures, peace and happiness would be encountered; representatives of this super-naturalist project, announced by the chosen ones and regarding essentially diverse beings, call for a double surrender: of the good-sense in favor of a faith in misconceived visions, and of reason in favor of the belief in dogmatic narrations.

Effectively, the theist disunion discards and punishes the immediate apprehension and contemplation of the real unitarian structure, in order to motivate two potentially fatal misunderstandings and deviations to the planet´s life: an objectification of the reality, of the globalized world, monocultures and megalopoles, reducing human beings to resources and figures; a displacement of hope towards the other world: establishing an unnatural and phantasmagoric, depression sowing, urbanistic and political anomalies producing, desertification and aridness causing vital relationship. On these doubtful and uncertain existential equations, each living being is compelled to decide: to position him/herself as born, sprout of the great star and earth, or as baptized on the cultures that crucify the mariner´s compass card and denies life´s reality in favor of death.

Hope exists in each one of the living beings, positioned in a legitimacy and order made explicit in the constituting atoms, resides a natural genius, awaken or asleep, at any intermediate position, but apt to immediately manifest him/herself: a touching wonderful presence for it contains the same and identical nature´s strength and beauty.

It became emergent to re-study how to know again, reencounter the knowledge and the lost verb, acknowledge what´s real to establish a new vision and good politics, where living richness and glory can take a seat on an adequate place, at the time one lives: the present moment eternal length of time demonstrated and revealed on enlarged ideas, equally aesthetic and abstract, to those who know how to immediately perceive, prior to thinking about, and to those who know how to think in accordance with what is well denoted, being what truly is: a cosmic realization where the Saint and Sacred Nature´s grandeur is manifested on what we are, each one bringing in itself a portion of these mysteries which commune themselves and vitalize us.