Creio que a Natureza, harmoniosa e bela, cósmica,
É a infinita totalidade, criadora absoluta;
Creio que a Natureza é a verdadeira Deusa adorada
Pelas criaturas da terra desde o começo dos tempos;
Creio que todas as criaturas vivem  no seio da força
Virgem, original e vital da Santa Mãe Natureza.

Creio que a Natureza, na sua essência, não é gerada,
Que é a mãe de todos os séculos, de todas as deusas
E deuses cultuados por todas as nações,  luz da luz,
Da totalidade das coisas criadas visíveis e invisíveis,
Dos céus, das estrelas às partículas menores;
Dos planetas e das luas, de todos os mundos.

Creio que todas as criaturas manam desses céus
E horizontes infindos,  simbolicamente, descidas
Dos céus, encarnando o ânimo vital e  supremo
Da santa e bela mãe natureza; creio que a Deusa
Não existe sem suas crias, que ela se faz criatura de si
Em cada um dos que nascem, que cada um dos seres criados
Compõe um dos pontos da trama infinita, pontos de encontro
E despertar dela mesma em nós e dela em todos nós.

Creio que, junto a nós e em nós, a grande mãe
Existe, eternamente, numa sublime esfericidade
Em que os diâmetros verticais e horizontais,
Como os madeiros de uma cruz de braços iguais
Inscritos no círculo central de uma imensa espiral,
Simbolizam o processo constante de transmutação
Do mesmo e único corpo, da ancestralidade às formas
Atuais e por vir, assim como a polaridade das expressões
Opositivas e complementárias, dia, e noite, sol e lua,
Compondo em harmonia a realização presente,
Bela como uma flora encantadora e misteriosa.

Creio que cada vez que pessoas sábias e vanguardeiras,
Artistas, buscadores, se redescobrem como expressões puras
Da Natureza no mundo da manifestação, regenera
A vida na força da eternidade, dissolvendo a ignorância,
Marcando saúde e salvação nas dimensões mais nobres
Do estado-de-ser que reafirma sua eternidade.

Creio na substância própria da vida que se manifesta,
Nas montanhas nas florestas, nas campinas e nos rios,
Lagos e mares, afirmando processos constantes
E gloriosos de renascimentos e dissoluções;
Creio no culto panteísta, santo, universal e sábio,
Admiro a abóbada estrelejada da igreja natural,
Reconheço o santo tabernáculo dos mistérios
Presente e aberto no coração dos que
Se amam e amam a Natureza e todos os seres.

Creio na intuição e gênio que vive em todos nós,
Sopre e fonte de vida que procede da santa mãe natureza
E assenta nas criaturas configurando um único estado-de-ser,
Que fala aos que despertaram para o que são,
Guiando-os em busca de uma vida sempre mais amorosa e bela;
Creio na pureza nascida e presente nas criaturas,
No centro do que sinto jorrar uma fonte rica e preciosa
Que derrama sabedorias oriundo de minha pura intimidade,
Permito que a fonte guie as águas vitais em qualquer espaço,
Aprofunde em qualquer caminho ansiando ser preenchido.

Creio na vida sempre nova do estado-de-ser transmutante,
Que todos juntos, despertos na nossa lucidez natural avivamos
Nos equinócios, em específico nas primaveras;
Creio que seremos capaz de reinstalar nesse planeta azul
O grande panteão em que somos todos filhos do sol e da terra,
Crias diletas da grande e bela mãe Natureza.