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Metafísica, a Ciência Interdita – o que você julga saber, mas não sabe

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Regis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Não esqueçamos (…) que a palavra «liceu» pertence à tradição aristotélica, porque está associada ao culto de Apolo, príncipe das nove musas e à vitória da humanidade sobre a animalidade. Não é a técnica nem a ciência o que humaniza o homem, e se (…) o liceu não deve ser mais do que um colégio das artes, temos de concluir (…) pela afirmação de que o liceu nada será se não cultivar a mais alta e difícil das artes, que é a de filosofar”. Álvaro Ribeiro (1905-1981) – Liceu Aristotélico.

Metafísica não é a “divisão da filosofia que se ocupa do que transcende o mundo físico ou natural”, mas a profundidade filosófica em que se constata e se aceita a veracidade do estado-de-ser que não se reconhece através das operações do raciocínio silogístico, reduções materialistas e idealistas, mas na contemplação intelectiva e sensível, onde o entendimento resulta da conjugação plena e complementária dos abstracionismos e esteticismos, fonte geradora de conexões simbólicas onde a existência se significa essencialmente… Trata-se da ciência metafísica, um modo mais seminal e geral de conhecer, anterior à ontologia como evolução racional secundária à apreensão metafísica primordial, realidade onde se reconhece e compreende que a experiência existencial onde assenta a totalidade do conhecimento possível é compósito de apreensões inaugurais e aglutinações psicofísicas com irradiações numinosas. Metafísica é ciência fundamental, eco-humanística, essencial a uma elaboração lúcida, bem sentida e examinada, das ciências políticas, por superar os poderes reduzidos e redutores da metodologia científica positivista (e suas aplicações ontológicas), cuja episteme categórica é a neutralidade e distinção radical do sujeito frente ao objeto: lugar onde, por decorrência, os sujeitos se objetificam  uns aos outros.

SUMÁRIO

METAFÍSICA, A CIÊNCIA INTERDITA
O que você julga saber, mas não sabe

1 – Da experiência metafísica que você julga conhecer:

Metafísica como ciência e apreensão empírica;
Da estruturação metafísica do intelecto como necessidade pré-predicativa;
Das expressividades variegadas das apreensões metafísicas;
Da estrutura bivalente das apreensões e perspectivas metafísicas;
Da primazia da apreensão metafísica monista;
Do dinamismo societário das apreensões metafísicas;
Do xadrez metafísico essencial – veículo quadrangular e dois eixos.

2 – Metafísica como experiência íntima e de natureza religiosa:

Da intimidade da apreensão metafísica;
Da natureza religiosa da apreensão metafísica.

3 – Metafísica e pareceres ontológicos:

Da ontologia como problematização secundária da apreensão metafísica;
Do fundamento dualístico da ontologia;
Metafísica e ontologia: duas ciências distintas.

4 – Da ambiguidade das ciências destituídas de embasamentos metafísicos.

5 – Decursos políticos, utópicos, mas científicos.

METAFÍSICA, A CIÊNCIA INTERDITA
O que você julga saber, mas não sabe

Regis Alain Barbier, Aldeia, 2013   

 “Advirto-te, sejas quem fores…! Tu, que desejas sondar os arcanos da Natureza, se não encontras dentro de ti aquilo que procuras, tampouco o poderás encontrar fora. Se ignoras as excelências da tua própria casa, como poderás encontrar outras excelências? Em ti se encontra oculto o tesouro dos tesouros! Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”. Mensagem atribuída a Tales de Mileto, inscrita no santuário ‘Oráculo de Delfos’, imortalizada como lema de Sócrates.

1 – Da experiência metafísica que você julga conhecer

 Metafísica como ciência e apreensão empírica.

Embora velada como um domínio reservado, divulgada como inocente e improdutiva, a metafísica é ciência arquetípica, primeira e colossal. A informação banal: ‘a metafísica é a divisão da filosofia que se ocupa de tudo o que transcende o mundo físico ou natural’ reflete essa ocultação e reserva, afirmar que algo transcende o mundo natural é uma doxa, uma opinião relativa a uma apreensão metafísica possível, vulgarizada, mas exorbitante e típica da teologia dominante, sobrenaturalista ou dualista. Um dos possíveis decursos metafísicos e elaborações hipotéticas são declarados definitórios e categóricos, dificultando o reconhecimento espontâneo da metafísica como ciência empírica.

Metafísica é a qualidade irredutível da apreensão fundamental do estado-de-ser, embasamento necessário à construção da identidade, ideologia e valor dos indivíduos e nações. A apreensão metafísica é causal na estruturação da realidade sociocultural. A quase totalidade do que acontece nas culturas, expressões sociopolíticas e pedagógicas, cultos, ritos, etiquetas, relações econômicas, realizações arquitetônicas, estruturações familiares e sociais, vocações, projetos e metodologias, resultam ordenados na psicodinâmica das perspectivas profundas, numa relação sistêmica.

Num primeiro momento, o embasamento metafísico se substantifica como apreensão referente a impressões existenciais pré-predicativas  e estruturadas na ontogênese, antes do advento e amadurecimento natural da razoabilidade – impressões do tipo: ‘identificação-estranheidade’, ‘empatia-repulsão’, espanto – alegria e vitória ou terror etc.). Trata-se de um embasamento emotivo fundamental, uma configuração psicofísica vinculada a uma intuição numinosa ou  experiência do sagrado, onde predomina a atuação perdurante da intuição e do ‘intelecto sensível’ coexistindo (em sinergia ou oposição) à subsequente e natural consolidação racional do cogito. A superestratificação escolar do cogito pelas racionalizações acompanha a redução cultural da apreensão metafísica genuína na direção do positivismo e idealismo apurado em teísmo sobrenaturalista e cultos referentes.

A apreensão metafísica inaugural serve de substrato qualificador às intuições que orientam e vivificam os grandes significados que reportam à ideia e ao sentimento de existir. Metafísica reporta igualmente às impressões afetivas e impactos conscienciais reativados e conferidos continuadamente pelo estado-de-ser, ao sabor dos eventos, simbologias e sincronias que evocam e modulam as impressões primordiais e decursos escolares, agregando sentimentos, como  piedosos ou jubilosos, que vinculam conotações éticas.

Num segundo momento, a ciência metafísica, de um modo mais fundamental e geral, anterior à ontologia como evolução racional da apreensão metafísica primeira, investiga e categoriza formalmente as simbologias, mitologias e significados apostos às apreensões inaugurais. Portanto, o termo é igualmente adjetival e nominal: 1) qualificativo da apreensão primordial; 2) denominativo da ciência que significa essas impressões em narrativas míticas, poéticas e prosas filosóficas.

Da estruturação metafísica do intelecto como necessidade pré-predicativa.

Nascer, conscientizar o universo natural e cultural em que se vive, operando como respondente dinâmico e atuante com grau significativo de inteligibilidade, significa apreender uma configuração metafísica e introjetar uma estruturação ontológica, base fundamental das sociedades organizadas e problematizações decorrentes, não podendo apreciar-se plenamente esses fenômenos existenciais espontâneos, necessários e decorrentes, com uma neutralidade dissociada similar à do método científico ou por intermédio das elaborações idealísticas típicas da escolástica e avessas à imagética e subjetividade. Enquanto raros filósofos percebem e apreciam a adequação, sobriedade, a ética, os significados, valores e potenciais relativos às perspectivas metafísicas, o homem comum vive e age de acordo com as apreensões tradicionalmente cultivadas e reforçadas no meio onde nasce e recebe educação.

Das expressividades variegadas das apreensões metafísicas.

A disposição cognitiva, inspiração e autonomia necessárias ao exame e investigação criativa e motivada das perspectivas filosóficas profundas, permitindo transcender as impressões batismais e teleologias instituídas, possibilitando a fundamentação de escolhas frente a essas apreensões psicofísicas e numinosas, configura um talento semelhante a outros – musical, arquitetônico, cênico, artístico em geral, específicos da tecnologia, manufatura artesanal  etc. Os múltiplos pendores e estilos cognitivos cultuados nas diversas nações e contextualizados nos vários continentes ao longo do processo histórico, possibilitam uma expressão variegada das perspectivas fundamentais. Filósofos, sacerdotes, sábios ou pajés podem significar perspectivas sintônicas – monista ou dualista – em diversas simbioses e expressividades, mitologias, rituais, simbologias, artes e estilos de narrativas, estruturando amplas praxes e cultos que, em conjunto, formalizam e balizam essas culturas – problematizando e solucionando temáticas existenciais de sucessos e fracassos, prazeres e sofrimentos, formas específicas de buscas, descobertas e destinos.

Da estrutura bivalente das apreensões e perspectivas metafísicas.

Nascer, reconhecendo-se humano, experienciando a natureza e cultura, compele ao reconhecimento progressivo de impressões existenciais resultantes de equacionamentos multifatoriais. Às impressões fundamentais, imediatas e de primeiro grau, relativas ao próprio corpo, à  família e ao meio, agregam-se ritos e cultos batismais, narrativas consagradas, afirmações verbalizadas e explícitas, construindo-se meta-significados de amplitudes culturais. É no somatório dessas impressões naturais e culturais, em níveis máximos de abstração e grau, que se ajuíza a relação do indivíduo com a totalidade, por fim, instituindo-se uma ou outra apreciação metafísica, de maior ou menor congruência e lucidez frente à totalidade do processo existencial. Mas, tardiamente, nos pareceres filosóficos, essas apreciações metafísicas complexas e bivalentes elaboram-se como perspectivas ‘monista’ ou ‘dualista’.

No primeiro momento da fundamentação metafísica, as receptividades biológica, afetiva, cultural e ritual sedimentam a identidade e valor dos nascidos, posteriores edificações ideológicas. As condições de parturição, como se é abraçado na comunidade familiar; considerado e epitetado ao longo da aprendizagem, educação e aquisição da linguagem; a recepção ritualística, consagração batismal e religiosa: em conjunto, consolidam a magna identidade do individuo, instituindo-se qualidades e cientificações metafísicas nos diversos níveis existenciais, num alinhamento congruente ou não. Essa apreciação consciencial repercute e significa como rejeição ou aceitação; sentimentos correspondentes, unívocos ou equívocos, elaboram-se em relação a si mesmo, o contexto e o outro, resultando em integrações concordantes ou desintegrações discordantes, de maior ou menor intensidade, comportamentos decorrentes frente ao próprio corpo e situação existencial ampliada, lugar vital que passa a se desejar ou renegar.

Num segundo momento metafísico, intelectivamente mais abrangente, intui-se um domínio ampliado do estado-de-ser, psicofísico e noético com extensões numinosas, em abstraimentos e esteticismos progressivos, configurando duas tendências: uma eventual integração universal, monística, onde se visiona uma vitória gloriosa e extática, ou, inversamente, uma rejeição dualística, ideando-se uma aspiração libertária e salvatéria, como um sopro, um bom vento,  um espírito invisível e inalcançável, esperançosamente abrigado da dor e do mal.

Assentada na atualidade do momento, a expressividade metafísica monista produz resultados efetivos, vitalizantes, com intensidades exuberantes e veracidades evidentes que dispensam a prática exaustiva das virtudes individuais e passivas, como o cultivo esperançoso da fé. As estruturações naturais e configurações culturais da existência e circunstâncias, necessárias ou eventuais, atuantes ao longo dos processos históricos e nas sincronias dos momentos, as impressões e sentimentos emergentes e pareados, são as pautas vitais onde se revelam e se significam as simbologias, enredam as narrativas míticas em busca de roteiros conferindo sentidos transcendentes ao que se experiencia, buscando veracidades atuais e glorificantes ou teleologias salvadoras.

Da primazia da apreensão metafísica monista. 

Consagrada na reunião intensa dos gametas e nidificação uterina nutridora e acolhedora, selando uma marca unitária na origem da existência, a impressão metafísica unitária, ou monista, enraíza primeira na ontologia do indivíduo e, do ponto de vista histórico, nas comunidades ancestrais; desponta tão naturalmente como o surgimento da puberdade na experiência de quem foi recebido e batizado com honra, de viva voz afirmado depositário titular e nativo dos potenciais intuitivos mais sensatos, belos e profundos, por existir simplesmente, como estado-de-ser cósmico, lugar legítimo, espantoso e magnífico, onde se consagra a existência em encontros com o numinoso. A força e grandeza estética das formas que se desdobram em causalidades e correspondências infinitas, das espiras das águas que rugem nas correntezas até os vapores e nuvens que turbilhonam no vento e temperam os giros brilhantes do sol e da lua, que marcam, da juventude à velhice, a grande jornada das criaturas nos espaços circulares das aldeias, não deixam dúvidas: a exuberância gloriosa da vida e da renovação supera e dilui as dores do viver.

‘Monismo’ refere a essa perspectiva metafísica unitária, confirmada no imediato reconhecimento que a realidade do cogito acontece em sincronia necessária com a realidade formal ou extensiva, configurando a existência uma unidade que se afirma, reproduz e desdobra como um rebis – utilizando as ilustrações e vocábulos de Descartes e Spinoza, brotando da superação moderna do dualismo mediévico: existência como reunião de ‘dois atributos’ infinitos, necessariamente pareados e oriundos da mesma substância. A intensidade dessa apreensão e realização metafísica primordial, indígena, que acontece selada na gênese e reunião dos gametas, reforça-se nas integrações familiares nutridoras e felizes, livres de maus tratos e ameaças, celebrando a intensidade de existir no presente, pacificamente, em contato com a magnificência ímpar da natureza, consagrando a glória de existir – transcendência horizontal.

Mais comumente, viver em urbanizações verticais, longe das inspirações pródigas da natureza, afastado dos valores existenciais e qualidades vitais típicas das comunidades familiares, arregimentado em internatos semelhantes aos da república platônica, exposto a dogmas e disciplinas que desonram a natureza humana, sentimentos defensivos e opositivos tendem a velar a conexão intuitiva entre o indivíduo e a totalidade, reforçando as rupturas, oposições e antagonismos, estruturando a apreensão metafísica dualista. Nos ambientes desnaturados por estresses continuados, pressões produtivas, pragmatismos exacerbados e carência de contemplação, a ‘razão qualificada’, terreno cognitivo original e propício à realização da unidade por agregar os bons sentimentos nativos às capacidades de intuir e abstrair, se adultera e denigre na ‘idade da razão’. O predomínio da razão tecnológica e idealismos intelectivos lógico-gramaticais, destituídos de afetos , ofusca a evidência que a plenitude e satisfação se consagram no espanto e entusiasmo das apreensões metafísicas positivas e unitárias típicas das crianças, dos indígenas e pré-socráticos.

A serenidade, característica e fundadora da apreensão monista, jamais se encontrará peneirando e calculando coisas, buscando utilidades relativas a novas buscas, em ordenamentos progressivos alimentados pelo motor do desconhecimento, onde não se compreende que o valor existencial só pode residir em si, não em algum lugar além dos átomos ou dos astros, em paraísos hipotéticos locados no reino de Hades. Mas, garantidas sensibilidade e intuição nativas suficientes, até mesmo para quem nasce desrespeitado em processos educativos autoritários e instrumentadores, vicejando nas agremiações classistas, hierarquistas e dominadoras das sociocracias instituídas nas superestratificações históricas e violentas das culturas primevas, a realização da unidade consagrada na impressão metafísica monista é sempre possível: essa sublime visitação poderá ser refreada, mas acontecerá, quiçá tardiamente, pontualmente, surgindo em sinalizações fugazes ao encontrar-se com uma flor, um pássaro, um reflexo brilhante como o ouro, um texto filosófico, uma poesia rememorativa dos enraizamentos originais.

 Do dinamismo societário das apreensões metafísicas. 

Diversamente do que se imagina e se propaga,  as perspectivas metafísicas se configuram em três momentos necessários, mas diversamente proporcionados e férteis, de acordo com as circunstâncias geográficas, culturais e históricas. Dito de uma forma geral, os posicionamentos metafísicos e ontológicos resultam das circunstâncias vitais e especificidades cognitivas do estado-de-ser, coadunando e corroborando cosmovisões historicamente consagradas,  que, por sua vez, plurais, tendem a se confrontar em debates culturais e civilizacionais.

Num primeiro momento, em condições existenciais naturais e satisfatórias, a impressão metafísica tende a ser integradora, espontânea, realização fenomênica primordial, enraizada numa apreciação estética fascinante que se abstrai em crescendo, de acordo com a afetuosidade nativa e capacidade cognitiva de cada um, revelando a harmonia da arquitetura cósmica, naturalmente brotando da reunião do inteligível e do sensível, com o potencial de ampliar uma realização intelectiva unitária e abrangente, das flores dos caminhos até o infinito mais sublime e glorioso.

Num segundo momento, o formato metafísico, fonte da identidade e valores profundos, se configura na sincronia das disposições públicas e políticas, em apercepções cognitivas multifatoriais, tais como: impressões batismais e formatações ‘ortolocutórias’ (ideias que se estruturam e reforçam-se apenas por se viver nas arquiteturas e ordenamentos das cidades), racionalizações e elaborações ideológicas mais tardias.

Num terceiro momento, pensadores elaboram as impressões batismais com argumentos e visões que atualizam e vivificam os potenciais e fundamentos, por concordância ou discordância, reforçando os decursos da tradição, ou, raramente, facilitando o surgimento de novas inspirações que ampliam o exercício da responsabilidade e probabilidades de escolhas.

Decorre dessas estruturações complexas e  metacognitivas que as perspectivas metafísicas fundamentais ou nucleares  enraízam e entranham em impressões naturais e batismais, induções culturais, ideologias, elaborações intelectivas e processos dialéticos que energizam os processos civilizatórios e movimentos culturais, inclusive marginais, cujas produtividades socioculturais, problematizações e vias resolutivas retroalimentam as perspectivas e pareceres fundadores, realizando arcos autopoiéticos que explicitam as suas autenticidades e veracidades nessas esfericidades:  um fenômeno que, em outros escritos, denomino de verdade por correspondência sagital.

Do xadrez metafísico essencial – veículo quadrangular e dois eixos. 

Portanto, estreitando os termos existenciais que triangulam as coisas da consciência, da realidade tangível e dos sentimentos-significados inaugurais que reportam a essas relações basilares, evidencia-se um quadrado de posições configurando dois eixos fundamentais e correlatos de perspectivas metafisicas; utilizando termos kantianos, aqui denominados de: eixo de perspectiva transcendente-transcendental, dualístico, fundamentado no idealismo platônico, extrapolações radicalizadas na Idade Média, e apogístico da ideologia cultural globalizante da época contemporânea; até então ignorado e banido pela mesma cultura, o eixo de perspectiva cosmo-existencial, monístico, sóbrio, com suas afiliações tipicamente pré-socráticas e indígenas, espaço filosófico onde se (re)elaboram as relações unitárias entre partes-e-totalidade, em momentos que, constantemente, despontam nas incongruências e crises éticas da perspectiva dualista.

2 – Metafísica como experiência íntima e de natureza religiosa

Da intimidade da apreensão metafísica.

É no inevitável e espantoso impacto emocional do fenômeno consciência-existência que se revela a dimensão metafísica, lugar existencial em que o estado-de-ser aprecia a natureza e qualidade das correlações essenciais e criativas entre a consciência e a existência em si. Metafísica refere a um saber prístino e ingênuo, absorvendo, igualmente, a atenção das crianças quando correlacionam o domínio do ‘Eu’ à própria identidade e valor, ao corpo, família, bens e propriedades e dos sábios investigando as mesmas linhas fronteiriças, mas universalizando o exame para confrontar esse ‘Eu’ ao que é outro e à totalidade. A potencial amplidão dialética e dialógica dessa busca costura as fronteiras pessoais às universais em acuidades apertadas que esgotam as possibilidades do discernimento num arco de saber esticado até um não saber essencial, deslizando no eidos, entre as abstrações e esteticidades que se desdobram,  desde a relação pensamento-sentimento até a relação cosmo-existencial, perscrutando lugares essenciais onde os sujeitos e objetos primordiais compartilham e impactam as suas naturezas em relações simpáticas e integradoras, ou antipáticas e antagônicas.

Nesse processo alquímico, na relativização circular e vaporização dos termos e conceitos em infindas sinonímias e enlaces metafóricos, a argumentação silogística, de elaboração mais tardia, se desarticula, desvelando-se símbolos e imagens que reportam às narrativas batismais. Os mitos se vivificam, impondo as perspectivas da tradição, subjugando o pensamento sem delongas ou à luz do bom senso e da intuição (quando não se rendem renegando o valor próprio) e na presença sinérgica de imagéticas plurais e narrativas transculturais, permitindo a elaboração de apreciações escolhidas onde a existência se consagra em encontros misteriosos cujas qualidades acordam com o amor próprio destilado ao longo da vivência e guardado no tabernáculo do coração.

Da natureza religiosa da apreensão metafísica.

Frente a esse fenômeno radical, manifestam-se e esclarecem-se as dimensões religiosas. Essas investigações filosófico-existenciais e decorrentes perspectivas, relativas à consciência, ideia e sentimento de existir em si, na coletividade e na tradição cultural, reportam ao grandioso e fascinante mistério da correlação fundamental consciência-existência evocando a experiência do sagrado, do Belo ou ‘divino’: denominação universal dessa apercepção espantosa e enigmática que envolve a floração magna do processo existencial e amor próprio. A intuição empática e sinérgica da correlação consciência-existência tende ao panteísmo; a intuição antagônica e adversa ao teísmo. Nesse estudo da existência que acontece dada-a-ser e provar no ato de viver, a metafísica dualista, típica do teísmo sobrenaturalista e salvacionista, advoga uma irrevogável descontinuidade, uma correlação consciencial-existencial contingente, necessariamente problemática, mas a metafísica panteísta afirma uma correlação essencial inelutável, unitária e paradoxal, monista, potencialmente harmoniosa e serena.

É típico da motivação teísta elaborar o sofrimento, a morte e a impermanência em busca de uma esperançosa e sobrenatural vida eterna; é típico da motivação panteísta celebrar os momentos de entusiasmo e êxtase cultivando potenciais de harmonia e serenidade. A emoção primária, associada à elaboração teísta frente à existência, se articula no eixo da rejeição-reconciliação: intui-se a vida como situação temerosa e acidental, pena obrigatória cuja redenção reside na oferta de uma salvação post-mortem, uma paz espiritual terminativa, que se imagina aniquilar todas as necessidades, carências e desconfortos; uma vitória radical e hipotética sobre a existência dada-a-ser, esperança condicionada à aceitação das obediências e dogmas relativos a essa perspectiva. A motivação panteísta elabora a aceitação imediata do estado-de-ser  buscando um contentamento mais singelo, centrado, procurando conquistar uma serenidade perdurante, intuída como riqueza naturalmente cultivável; viver a gratuidade presencial, a concordância sincrônica e magnífica que exulta entre todas as coisas: flores, clima, insetos multicoloridos e pássaros; no entardecer, as harmonias ignotas sugeridas pelos reflexos das luzes do céu nos lagos tranquilos.

Frente à existência, os motivos associados à elaboração panteísta se articulam no eixo da sintonia e da união genésica; o conceito primo é a justa, feliz e gloriosa valorização do bom, do belo e do bem, a  consagração da existência prezada no ato existencial compreendido como continuado processo de renovação, pautado entre nascimentos, vidas e mortes – transcendência horizontal. Dito de maneiras diversas, o posicionamento metafísico monista assenta: na experiência e apreciação imediata, primeira ou própria, da espantosa e transbordante realização consciencial da existencialidade enquanto tal; na intuição criativa e necessária da existência em consciência.

3 –  Metafísica e pareceres ontológicos

Da ontologia como problematização secundária da apreensão metafísica.

Nas margens das intuições metafísicas, na periferia dos espantos primordiais em que se gerencia o indiferenciado, criando tradições, a ontologia se preocupa em distinguir, caracterizar e classificar os existentes, o que existe do ponto de vista formal, à luz das perspectivas metafísicas historicamente convencionadas e compactuadas nos domínios culturais. A metafísica possui feitio transcultural, reportando o existente à natureza de imediato; a ontologia reporta à existência como se compreende ou problematiza num modo cultural; os interlocutores principais do discurso metafísico são os que integram e constroem o discurso, os poetas; os interlocutórios pressupostos da ontologia são os pontos de vista das tradições, os autores significativos, quiçá os profetas, os cânones em que estabelecem as perspectivas que enquadram as buscas.

O estudo ontológico poderá ser geral, evocando-se relações inconclusivas entre um ‘ser’ e um ‘ente’, esmiuçar as eventuais angústias e horrores historicamente decorrentes dos choques ontológicos congêneres a essa ‘metafisica’ do estranhamento, refletidos na política e sociologia; ou uma busca aplicada, como acontece na física quântica, no equacionamento epistemológico das relações entre sujeitos que se pensam separados e objetos subatômicos conferidos numa sucessão de sinais indiretos e equívocos.

Um estudioso da ontologia pode imaginar que quando Parmênides sustentava que ‘pensar’ e ‘ser’ eram a mesma coisa, “porque não encontrarás o pensar fora do ente no qual se expressa” ele, de alguma forma, antecipava Descartes. O conhecedor da dimensão metafísica reconhece que não é assim: Parmênides sabia e conhecia que existir era necessariamente ‘ser consciente do que há’, que consciência imediata e existência se relacionam como os dois lados de uma única moeda, realidade que se ofusca no ponto de vista lógico-racional na ‘degradação’ transcendental (expressividade kantiana) dessa experiência prima ou impacto intuitivo cosmo-existencial. Não encontrarás consciência fora da existência, arco necessário no qual o todo se expressa.

Do fundamento dualístico da ontologia

As conjunturas em que surgem a necessidade de categorizar ontologias referentes a distinções são necessariamente, de uma forma mais ou menos fundamental, dualísticas. Nas hermenêuticas acadêmicas, típicas das culturas dominantes, alguma distinção centrada entre o que é inferido como uma ‘consciência-cota’ reduzida ao domínio cognitivo do sujeito, o espírito do ‘ente’, serve de premissa menor frente a uma ideia de totalidade radicalmente transcendente, o grande e transcendente espírito do ‘Ser’, a hipótese magna onde radica a premissa maior: uma logicidade ordenadora de infindas, inconcludentes e apaixonadas aventuras silogísticas, fundamentalistas e hipotéticas.

Nas conjunturas culturais em que as metáforas referentes ao essencial repousam nas forças e valores constitucionais da existência e vitalidade, como ‘a luz do sol’, virtude em que o individuo é reconhecido como desdobramento natural e legítimo da grandeza universal, ‘um ser solar’, as hipotéticas distinções ontológicas rapidamente desmoronam, rompendo as discriminações lógicas nos abraços unitários e paradoxais, espantosos e sempiternos da metafísica.

A ontologia, reflexo intelectivo de um processo gerador de resoluções problemáticas, construtor e desconstrutor continuado de originações  provisionalmente efetivas e hipoteticamente originais, não se examina criticamente por não reconhecer a contradição intrínseca de uma busca onde se ambiciona descobrir logicamente uma originação ou começo absoluto, logo alógico. As buscas ontológicas são congêneres à perspectiva metafisica dualista, com maior exatidão, denominável de perspectiva ontológica ou dualista; sendo a perspectiva monista, paradoxal e alógica, metafisica, propriamente dita.

A experiência metafísica, apoiada no intelecto integrado, naturalmente ordenado, opera sem condicionamentos formalmente educados e equacionados, fundamentando seu saber na alimentação criativa da inteligência abstrata com apreciações intuitivas, refletindo um fenômeno aceito e apreciado com estética, como processo continuadamente recriado, potencialmente infindo.

Metafísica e ontologia: duas ciências distintas.

Evidencia-se com clareza: a metafísica não é a divisão da filosofia que se ocupa do que transcende o mundo físico ou natural, mas a profundidade filosófica em que se constata e se aceita a veracidade do estado-de-ser que não se reconhece através das operações do raciocínio silogístico, reduções materialistas e idealistas, mas na contemplação intelectiva e sensível, onde o entendimento resulta da conjugação plena e complementária dos abstracionismos e esteticismos, fonte geradora de conexões simbólicas onde a existência se significa essencialmente e os significados se preservam reconhecendo essa fonte. A ciência metafísica reporta a um modo mais seminal e geral de conhecer, anterior à ontologia como evolução racional secundária à apreensão metafísica primordial, realidade onde se reconhece e compreende que a experiência existencial onde assenta a totalidade do conhecimento possível é compósito  de apreensões inaugurais e aglutinações psicofísicas – como evidenciado no empirocriticismo de Avenarius e Mach – com irradiações numinosas. Metafísica é ciência fundamental, eco-humanística, essencial a uma elaboração lúcida, bem sentida e examinada, das ciências políticas, por superar os poderes reduzidos e redutores da metodologia científica positivista (e aplicações ontológicas), cuja episteme categórica é a neutralidade e distinção radical do sujeito frente ao objeto: lugar onde, por decorrência, os sujeitos se objetificam uns aos outros.

A ciência metafísica diferencia-se, claramente, das aplicações isoladas e seletivas do intelecto racional, modo idealístico e positivista de pensar sincrônico e combinante à apreensão dualista do fenômeno existencial, fundamentado em postulados, dogmas, normas e regulações progressivas que regimentam a vida em apreciações quantitativas metrificadas, em abstrações lógicas e matemáticas; racionalismos onde o ouro vale como metal raro, valor calculado na proporção do seu poder de troca operado em mercados onde se adquiram objetos para se ter; diferente das aplicações gerais e fundamentais do intelecto integrado, eminentemente sensível às apreciações qualitativas e amplitudes estéticas, lugares cognitivos onde o valor do ouro simboliza a virtude e o brilho do sol, grandeza existencial universalizada nas dimensões do saber ser e viver.

4 – Do ambiguidade das ciências destituídas de embasamentos metafísicos

O positivismo, que se quer soberano, é mero instrumental tecnológico, arte de produzir coisas relativamente úteis em contextos específicos, ou entender as inter-relações lógicas e matematizáveis dos objetos utilizáveis e pensáveis como realidades causais – cisão ontológica fundamental. Trata-se de um instrumento produtivo, gerenciador de relações proveitosas, metrificadas de acordo com princípios físicos; não é da sua natureza e orçadela compreender e avaliar os fundamentos existenciais que relatam à ciência filosófica do estado-de-ser enquanto categoria primeira, lugar vital onde se apreende a existência e seus significados no ‘interior em si’. Os que se confundem, querendo ampliar a serventia do método científico na investigação profunda da existência, no mapeamento e valorização da origem, erram duplamente; degradam a excelência da ciência clássica em cientificismo espúrio e ofuscam as possibilidades e realizações próprias da ciência do estado-de-ser: a ciência metafísica.

Deslocando um método ordenador de eventos relativo à produção de bens, distribuição e organização societária de esforços produtivos para o estudo das relações fundamentais onde se compartilham e enlaçam os atributos dos sujeitos e das coisas, degenera e deturpa a atividade cientifica em cientificismo, corruptela política do método das ciências naturais. O cientificismo avilta a humanidade e ação humana, em sinergia, certamente ‘produtiva’, com o poder eclesial, rompendo o estado-de-ser natural em ‘ser’ e ‘estado’ hipotéticos; por acréscimo, reforça a ilusória alienação da autonomia intrínseca ao ser humano, assentada na reunião fundamental e indissociável da vontade, da consciência e da existência  dada-a-ser. O cientificismo mina a capacidade de bem pensar, desorienta e  desrespeita o indiscernível; com razão quantificadora e insensata, desonra e destitui o ser humano da responsabilidade de bem significar a si mesmo e a totalidade – de ser espiritual de verdade. Conota-se um evidente alinhamento subordinado aos pareceres teológicos dualistas e autoritarismos políticos  que em conjunto aviltam o ânimo existencial, o ‘conato’ significador e orientador do ser humano para manter uma ilusão de controle e dominação – sem neutralidade alguma!

Uma abordagem cujo paradigma  postula a “neutralidade e distinção radical do sujeito frente aos objetos” confessa-se incapaz de equacionar e solucionar o que é mais importante para quem experimenta o fenômeno existencial, sentimentos intangíveis, mas maximamente efetivos na manutenção da felicidade e satisfação de poder viver em paz; não pode gerar conhecimentos e saberes úteis à instalação do bom convívio, da justa civítica; não possui serventia para a fundação e inauguração de cidades onde se possa viver em harmonia, desfrutar da existência com sossego. Isso é função de outra ciência de paradigma inverso: “sujeito e objeto são parte de um grande e sempiterno conjunto unitário”. Para adequar e graduar a ‘compreensibilidade’ de tamanha inversão epistêmica, didaticamente, reduzo o alcance da afirmação a aplicações mais evidentes, considerando ‘objetos’ como: a ordem social, política, econômica e religiosa, entre outros.

Enquanto a busca cientificista faz parecer a existência que se vive destituída de sentido fundamental, deixando à teologia sectária o ‘sobrenatural’ encargo de encontrar um significado; a ciência do estado-de-ser reconhece que o sentido assenta na espantosa conexão, necessária e primária, da consciência e do mundo: uma fusão unitária e paradoxal, um estatuto metafisico, onde o mundo é o mundo da consciência e a consciência do mundo em quaisquer circunstâncias – uma distinção relativa, indutora de sentimentos fundamentais, contida numa indistinção psicofísica radical, espiralando infinita, como melhor se evidencia nas fronteiras micro ou macroscópicas da esfera existencial.

A busca cientificista, carente absoluta do espanto que, naturalmente, esclarece o essencial sem recorrer a equações silogísticas aprendidas e treinadas em exercícios escolares, leva o vivente a se pensar como função sujeito-cogitativo neural e absoluta (um estatuto similar e sinérgico com o profetismo divinal), esquadrinhando as coisas, células, moléculas, átomos e partículas do estado-de-ser como se fosse matéria alienígena, logo alienando e dissociando o vivente (espiritualizando-o?) do contexto existencial e bom-senso intuitivo e estético que desde o início revela o grande segredo subatômico, conhecido dos alquimistas: ‘matéria-energia’ e ‘consciência’ são dois lados necessários e interativos da substância una e fundadora. Já, a teologia profetiza ser depositária exclusiva de uma revelação que o homem comum não pode experienciar naturalmente por decreto superior, induzindo o vivente a se salvar da lucidez natural a favor da ignorância, aceitar com fé, influído em impressões batismais e catequeses, a mesma cisão radical, renegando uma existência efetiva a favor de uma prometida imortalidade sobrenatural, ou inexistencial. As similaridades complementárias das teorias cientificistas e teológicas – objetificando, em degraus, o corpo e contexto a favor do sujeito e o sujeito a favor das ideias – explica as estreitas comunhões acadêmicas, platônicas, dessas buscas, obrigando a considerar o cientificismo típico da sociocracia como uma ‘pseudociência eclesial’. A sustentação absurda da distinção radical sujeito-objeto na investigação dos planos profundos onde estas dicotomias não enraízam, como nas buscas subatômicas, transforma essa ciência num exercício teológico.

A veracidade metafísica se comprova de imediato, sabendo apreciar a arte ensinada pelos filósofos e sábios de todos os tempo, jamais pelos sofistas e deslumbrados que buscam a verdade dissecando o estado-de-ser à procura de uma verdade locada além das visões e dimensões próprias da existência: cegueira radical, mas igualmente veracidade necessária e apogística do estado-de-ser consciente que opera conectando o que se crê e admira com o que se vive.

Se a crença teológica, fundamentada nas impressões relativas à estruturação cultural, batismal, onde se generaliza as elaborações vigentes e tradicionais, propaga que depois da vida existe uma outra mais sutil, numa dialética esotérica: trata-se de uma hipótese, relativamente benigna, em relação à qual será mais sensato e proativo ser agnóstico – não se pode viver bem e produtivamente, do ponto de vista de todas as ciências, aguardando a chegada da morte! Mas, se essa mesma crença, evocando dissabores societários prosaicos e resultantes de superestratificações políticas, históricas e acidentais, acrescenta veemente: “o ser humano é impuro, vivendo banido nesse lugar terráqueo e ínfero, desterrado para purgar pecados originais, taras existenciais inatas e aguardando a reintegração ao reino original”: cuidado! A esfericidade autopoiética , ou processo de veracidade por correspondência sagital, como o gênio da lâmpada, informa: seja feita a sua vontade meu senhor! – reforçando a estruturação dos infernos, numa sinergia e realização metafísica maximamente exemplificada no Medievo – a cada um e a cada época e lugares as suas crenças! Esse é o triste e amargo desencontro fundamental em que, perigosamente, ainda vive a maioria, messianicamente enquadrada.

Não seria mais prudente, do ponto de vista da arte da pedagogia, da cibernética e do bom senso, dizer: vivemos aqui, no melhor mundo possível, nas circunstâncias dadas? Bela é a natureza;sábia ,a filosofia; e, sabendo viver com arte e respeito, boa e gloriosa, a vida! Se outro destino houver, terá de vir na orça do rumo que já se segue, porque é o caminho que justifica os fins: mirando e corrigindo infernos, leva ao inferno; mirando e corrigindo paraísos, leva ao paraíso de ‘corpo e alma’: por isso a viagem é o caminho, a verdade e a vida, que é o lugar onde se vive, potencialmente um paraíso! Ainda não sendo, por razões arcaicas e construções políticas infelizes e inscientes, reconstrói começando pelas perspectivas, com virtude e equanimidade; tu és capitão dessa nau, a viagem é tua. Portanto, a ciência apta a fomentar o exercício de uma vida virtuosa e digna, não é o cientificismo tampouco a teologia sobrenaturalista, mas a ciência filosófica, especificamente, onde se aprende a escolher e cultivar as melhores apreensões e impressões existenciais à luz natural da boa ciência metafísica!

 5 – Decursos políticos, utópicos, mas científicos

Tanto: 1) esse cientificismo sociocrático que, em nome da democracia, explora os recursos produtivos e a capacidade de trabalho em busca das configurações ideais da República de Platão; 2) essa ciência positiva que quer descobrir a ‘verdadeira’ estrutura subatômica e cósmica que se postula existir ‘objetivamente’, além dos processos de conscientizações do sujeito que pesquisa (!); 3) quanto a teologia teísta e salvacionista que advoga ser o destino do estado-de-ser apenas encontrável em órbitas sobrenaturais, sonhadas e escrituradas além dos alcances naturais dos viventes; todas, em cooperação sinérgica, alimentam o mesmo desentendimento secular que assola o planeta; renegam a plenitude e legitimidade do sujeito intuitivo e sensível; renegam o estado-de-ser como dado-a-ser e existir, lugar evidente e único, onde se concentra e dedica, desde sempre, o conhecimento e verdade que se experienciam; renegam o bom-senso natural, soma harmoniosa e ponderada de todas as funções cognitivas, base fundamental onde assentar a mais bela praxe existencial. As negações existenciais envolvidas nesses paradigmas, os desvios da atenção e dedicação dos recursos e capacidades laborais em buscas carentes de intuição e esteticismos, teologicamente irracionais e cientificamente insensíveis, perdulárias, impedem o advento e progresso da ciência maior: aprender a saber viver – em si, entre si e entre as nações – com gratidão por ser o que se é, de acordo com a natureza.

É reconhecendo que o sujeito não deve, efetivamente, nem pode separar-se dos contextos e afastar-se das coisas onde vive, reconhecendo que não se pode residir em castelos ilusórios, fora da realidade que existe para se ver, tocar, saber e provar e reconhecendo que o divino, o sublime, o magnífico não é orbe sobrenatural, tampouco realização privilegiada de um punhado de ideólogos conluiados em igrejas, que não pertence aos modos do sectarismo que divide e aparte, mas é o apanágio evidente e natural de todos os viventes como justamente apontado pelas metáforas onde as flores são divinas: reconhecendo-se dessa forma, a humanidade poderá realizar e viver a paz e harmonia que não se encontrarão jamais no futuro e que não se realiza a não ser como presente.

A grande ciência eco-humanista que pode florescer e levar a humanidade a níveis de bem estar nunca experimentados não pode acontecer fundamentada no eixo de perspectiva metafísica transcendente-transcendental, que reporta a experiência de existir a um processo ilusório, como bem se comprova e lastima, mas apenas instituída no, excessivamente banido, eixo de perspectiva metafísica cosmo-existencial no qual o estado-de-ser, que cada vivente exemplifica, se confirma e consagra tabernáculo da essência e do grande valor existencial: depositante soberano da verdade e da existência, senhor dos seus caminhos.

Quando as crianças forem recebidas e batizadas com honra confirmada em ritos e afirmado de viva voz depositárias potenciais e nativas dos conhecimentos mais sensatos e profundos, os demais exercícios e buscas serão naturalmente postos nos seus lugares, a serviço do planeta, da fauna, da flora e do ser humano. A política não será mais partidária, será dialógica, civítica; a economia não será mais monopólio fiduciário de um punhado de banqueiros associados a políticos, mas lastrada e popular de alguma forma, naturalmente atuante e humana, de mercado verdadeiramente. A ciência não desperdiçará recursos procurando o que não se acha em lugar improvável, mas saberá se motivar para fazer melhor o que se faz, não procurando validar e qualificar o que não pode ter realidade na ausência da lucidez natural do sujeito.

Nessa época, que deve logo alvorecer se o ser humano deseja perdurar mais alguns milênios como espécie, os projetos de pesquisas implicando recursos maiores de que um punhado de associados possam bancar privativamente (não existirão mais essas ‘infinitas subvenções fiduciárias’) deverão ter suas necessidades, éticas e valores, discutidos em praças publicas, assim, com certeza, não se construirão jamais bombas e engenhos de guerra para manter no poder os que se acham senhores privilegiados dos mistérios e justos paradigmas existenciais. A ilusão será vista como ilusão, a verdade como verdade, não se confundindo com retóricas sem efeitos, como essas frases vistosas, gravadas em pórticos e moedas de cobre e metal vil: vigorarão com efeito os grandes conceitos de iluminismo: liberdade, igualdade e fraternidade.

O mundo em que “todo ente recebe uma quantidade de ser proporcional à perfeição maior ou menor da sua essência” (Aubenque, Pierre; Desconstruir a metafísica? Pag. 36; São Paulo, Ed. Loyola, 2012) será substituído por um mundo mais generoso, dialógico e desembaçado, onde todos refletirão a perfeição do estado-de-ser; isso, porque nada viceja fora do ser, porque tudo é necessariamente circunstanciado, logo, perfeito nas circunstâncias dadas, sendo as perfeições naturais admiráveis, mas as teológicas e culturais arcaicas, ainda ínferas e exigindo reformas.

A dissociação improvável e grosseira do estado-de-ser unitário em alma e corpo, sujeito e objeto, ‘id’, ‘ego’ e ‘superego’, etc., além de ser carente de veracidade e saber, vela e ofusca a glória de viver, alimentando buscas que desviam a humanidade dos seus caminhos naturais, destituindo a experiência como fonte única e soberana de saber original, projetando o poder de dizer, fazer e decidir num punhado de cientificistas, sociocratas e funcionários, associados em conluio com seus mentores, corruptos e corruptores que dão ‘ser’ como bem se denota, e, caso não sejam contrariados com firmeza, paz e profunda compaixão, vão com certeza conseguir o que parecem aspirar: realizar um perfeito inferno nessa terra,  evocando um paraíso hipotético.

Apenas a convergência da realidade genésica unitária, com uma apreensão metafísica e intuição inaugural profundamente estética, elevando até o Belo, alinhando as elaborações filosóficas, religiosas e políticas condizentes e congruentes com o que é dado-a-ser e apreciar com gratidão e sobriedade, à luz do bom-senso, da razão sabiamente delimitada e consciência respeitada, poderá levar a um sentimento de integração pleno e sensível, a uma dedicação ecológica e societária digna de nota, onde não será comum, estranho até, o surgimento de neuroses, pânicos, angústias, depressão, estresse e todas as manifestações ordenadas e progressivas de loucuras como se evidenciam nas culturas onde o estado-de-ser é iludido, rompido numa estruturação esquisita, renegando a vida e a realidade a favor de modelos ultimamente nefastos como bem se denota querendo ver, pensar e tirar conclusões.

 

Exercício Metafísico Panteísta ~ Pantheist Metaphysic Exercise

arcanjo gabriel

With english translation below the text in Portuguese

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Uma cultura, para ser justa, digna e demonstrar na prática o que muitas vezes prega em teorias e afixa em documentos constitucionais e fundadores, deverá instituir uma pedagogia à altura das suas aspirações. De acordo com o melhor conhecimento, até hoje disponível, essa pedagogia necessitaria ser sóbria e repleta de bom senso; diferenciar o mítico, hipotético e interpretativo, o opinativo, a doxa, do real e sensato. Isto é embasar todo o ensino em critérios filosóficos, apresentando sempre os argumentos e os contra-argumentos, esclarecendo os pontos fortes e fracos dos discursos, deixando aos alunos o direito de escolher seus caminhos cognitivos, impregnando as psiques de um sentido construído e firme, algo resultante de uma gradual e lúcida tomada de consciência. Quando, nesse laboratório escolar de aprendizagem, algum projeto de ação for escolhido, as estratégias de consecuções seriam estudadas, examinadas buscando na experiência e no sentido crítico os melhores caminhos. Deverá se ensinar a começar tudo com sensatez, a monitorizar o andamento dos projetos cuidadosamente, utilizando os diversos pontos de observação conhecidos, possíveis, imaginários, com a máxima criatividade. Aliás, treinar a criatividade em todos os sentidos deveria ser a  preocupação essencial de um bom ensino.

Como o que mais pesa no destino psíquico de um indivíduo, no seu tônus emocional e posturas fundamentais é, indubitavelmente, a forma como ele é considerado e recebido na cultura, formalmente e essencialmente, como ele imagina a sua presença e função no ambiente e mundo onde vive: nada mais natural de que examinar cuidadosamente esse ponto. Uma autoestima depressiva é construída embasada em desrespeitos que se somatizam, ampliados até abafar a alegria e capacidade de amar. É muito fácil solicitar: “sejam amorosos, respeitadores, alegres e confiantes”, mais difícil enxergar onde se enraízam tais virtudes para que possam crescer espontaneamente – ninguém se torna amoroso e respeitador de si e dos demais num piscar de olhos, mudando a tintura dos cabelos. Querer é uma longa viagem que começa com inteligência e criatividade suficientes para distinguir os bons caminhos em perspectivas amplas: é o que deve ser ensinado a priori.

Nessa escola, os estudantes seriam, desde cedo, convidados a examinar diversas narrativas culturais originais, míticas, à luz do espírito científico, filosófico, na famosa posição de ‘observador’, sujeito dissociado do seu ‘objeto’, utilizando o método ipsis litteris: um instrumento para testar, experimentar e examinar os usos e costumes sem se envolver nas diversas narrativas, reconhecer suas decorrências lógicas – até provar em contrário – de acordo com as melhores teorias psicológicas e pedagógicas. O que poderia existir de mais fundamental nesse mundo globalizado e mutante de que apoderar-se plenamente do imaginário? Auxiliar o aluno a sentir os sentimentos evocados pelas diversas narrativas ditas fundadoras de culturas e cultos? Graças a esses jogos virtuais de civilização, os probantes e alunos seriam colocados na situação imaginária de ‘nascer’ em diversos lugares e âmbitos culturais vindo da hipótese metodológica neutral – poderiam escolher  momentos e lugares de diversas tradições, de acordo com a sua vontade.

Os alunos aprenderiam a testar, como se fossem vestimentas culturais, as principais narrativas fundadoras de cultos, seus critérios comportamentais, discursando sobre o sentido da existência e posição do sujeito nos ritos de cada lugar. Não seria necessário começar seguindo uma determinada ordem evolutiva: testando primeiro os ritos desaparecidos, recolhidos em buscas arqueológicas e depois os mais antigos. Entrar-se-ia nesse ‘carrossel existencial’ de diversas maneiras, por sorteio, escolhendo alguma ordem aleatória ou autodesenhada. Interessante seria que o próprio aluno e visitante virtual, fundamentado nas suas escolhas e experiências, discutisse com os seus companheiros de viagem os diversos sentimentos, ideias, estratégias de funcionamentos, posturas frente aos outros e ao ecossistema, evocando esses mitos, cultos, obediências e decursos culturais; que fossem discutidas as relações desse mitos e ritos com outras doutrinas, políticas, pedagogias e teorias.

Caso o aluno fosse nativo de um lugar e cultura de forte e rígida tradição, correspondente a um rito e mito fundador bem definido, poderia ser indagado a respeito de querer ou não experimentar dissociar-se das impressões batismais originais para testar outras plataformas culturais, veracidades e cultos, de acordo com outros povos e nações. Recusar seria possível:  nada nessa escola seria obrigatório! Claro, esse aluno não receberia o ‘Grau Om’ – Grau Real e Arquetípico Universal da Ordem Metafísica – o grau dos grandes conselheiros e maior significado existencial, receberia o grau relativo às ontologias enquadradas na ordem da sua cultura nativa.

Exemplificando: no imaginário, dessa posição crítica denominada nos nossos cursos ‘posição alom’ (de alfa e ômega), típica do observador científico, o aluno poderia ser batizado idealizando ser superior a todos, absoluto, escolhido pelo oculto para dirigir os demais em diversas direções: obter o controle do mundo, instituir uma ordem definida, uma estrutura societária classista. Em outro experimento, poderia ser recebido e batizado imaginando ser ‘escolhido’ por diversas razões, como ser do gênero F ou M, da cor de pele N, B, P, A ou outra, da nacionalidade de A a Z, ou o que bem quisesse supor, até mesmo optar por uma escolha sincrônica com a situação existencial correspondente à sua realidade: uma vez desenhado o enquadramento, poderia escolher imaginar e pensar entrar numa cultura onde essa forma fosse considerada suprema, de valor máximo, ou, o inverso, que fosse taxada de desprezível, sentir as consequências dessas várias disposições, cultos e visões metafísicas.

Numa vertente mais prospectiva e generosa, o aluno poderia escolher conhecer outros ritos, como os que decretam ser o nascido uma realização do cosmos, um ser universal dotado de conectividade com toda a natureza, de uma vasta ancestralidade, oriundo do infinito e das origens misteriosas que a ciência ainda desconhece! Seria dito filho do Sol, da Terra, junto com todos os demais seres, os minerais, a flora e a fauna. Revestidos desses atributos existenciais, desse eixo metafisico, entraria em um mundo onde seria recebido dessa forma por outros seres de igual para igual.

Bom seria se algumas igrejas instituídas, antes de batizar e promover campanhas de conversão, quiçá, messianismos truculentos, oferecessem igualmente cursos mostrando as diversas opções filosóficas disponíveis, deixando as pessoas escolherem os seus caminhos. Isso seria demonstrar respeito e relacionamento digno, igualitário. Mas por enquanto, ainda, por mais bem intencionados que sejam os diversos líderes e religiosos, as igrejas gostam de condenar os que consideram heréticos, mas não gostam de ser trazidas na arena da vida e dos diálogos sinceros e francos, descer dos encastelamentos e pedestais para enfrentar críticas.

Chegará o momento por a natureza ser justa e esférica; dizer, pensar e fazer tem consequências – mesmos distantes, se manifestam. Nesse caminho, todos aprendem e se aperfeiçoam. Quanto mais liberdade de opções para o bem pensar iniciático, mais ricos e plenos os resultados. No momento, para nós nessa escola panteísta, o eixo de perspectiva metafísica cosmo-existencial tem sido eleito mais sensato e promissor, quando se busca uma vida boa na vida que se tem: viva, digna, feliz, fecunda e sensata.

Pantheist Metaphysic Exercise

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

A culture, to be fair, worthy and demonstrate in practice what many times is proclaimed on theories and affixed on constitutional and founding documents, ought to establish a higher pedagogy to cope with its yearnings. According to the best knowledge, so far available, this pedagogy would need to be serious and filled up with good sense; to differentiate the mythic, hypothetical and interpretative, the opinionative, the ‘doxa’, from the real and judicious. This is to base the entire teaching upon philosophic criteria, always presenting the arguments and counter arguments, clarifying the weak points of the discourses, leaving to the students the right to choose their cognitive ways, filling their psyches with a built and firm sense, something resulting from a gradual and lucid awareness. When, at this scholar apprenticeship laboratory, some action project is chosen, the achievements strategies would be analyzed, examined, searching on the experience and on the critical sense the best courses. It should be taught how to judiciously commence everything, how to carefully monitor the ongoing of the projects making use, on the most creative way, of the several known, possible, imaginary observation points. Besides, to train the creativity in every sense should be the essential concern of a good teaching.

As what weighs more on an individual´s psychic destiny, on his emotional tonus and fundamental postures is, undoubtedly, the way how he is considered and received in the culture, formally and essentially, how he imagines his or her presence and function in the environment and world where he is living: nothing more natural than to carefully examine this point. A depressive self esteem is built based on disrespects that are amplified until choking one´s happiness and loving capacity. It is extremely easy to ask: ‘be loving, respectful, cheerful and confident’, but it is difficult to see where such virtues are rooted in order to spontaneously grow – no one becomes loving and respectful of him and of those others in a twinkle of the eye, changing the color of the hairs. Wishing virtuousness is a long trip starting with sufficient intelligence and creativity to distinguish the good ways on extensive perspectives: this is what a priori should be taught.

At this school, the students, early, would be invited to examine several original, mythic cultural narrations, at the light of the scientific, philosophic spirit, on the ‘observer´s’ famous position, subject dissociated from its ‘object’, making use of the method ‘ipsis  litteris’: an instrument to test, experience and examine the uses and costumes without getting involved on the several narratives, recognizing its logic consequences – till it´s proven to the contrary – in accordance with the best psychological and pedagogical theories. What could be of most fundamental in this globalized and mutant world than fully seize the imaginary?  Help the student how to feel the sentiments evoked by the several narrations said to be founders of cultures and cults? Thanks to these virtual games of civilization, the students would be placed in the imaginary situation of ‘being born’ in several cultural places and spheres from the neutral methodological hypothesis – could choose moments and places of several traditions, according to their will.

The students would learn how to test, as if they were cultural vestments, the main founding narrations of cults, their environmental criteria, discoursing on the meaning of the subject´s existence and situation in the rites of each place. It wouldn´t be necessary to start following a certain evolutionary order: first testing the disappeared rites, those gathered in archeological searches and then the older ones. One would enter into this ‘existential carrousel’ through different ways, by choosing some random or self-designed order. It would be interesting if this student virtual visitor, based on his choices and experiences, could discuss with fellow travelers the several feelings, ideas, functioning strategies and postures before the others and the ecosystem, evoking these rites, cults, obedience and cultural trends; and that the relationships amongst these myths and rites were discussed and matched with other doctrines, policies, pedagogies and theories.

Should the student be native from a strong and rigid tradition place, corresponding to a well defined founding rite and myth, he could be asked if he would or wouldn´t wish to try to undergo dissociation from the original baptismal impressions to test other cultural platforms, truthfulnesses and cults, according to other people and nations. To refuse would be possible: nothing at this school would be mandatory! Certainly, this student wouldn´t be granted with the ‘Om Degree’ – the Metaphysic Archetypical Order- the great counselor degree and greatest existential meaning, he would receive the degree relative to the ontologies fitting in the order of hi native culture.

Exemplifying: in the imaginary, of this critical position named in our courses as ‘alom position’ (from alpha to omega), typical of the scientific observer, the student could be baptized, imagining being superior to everyone, absolute, chosen by the concealed to guide the others in several directions: to gain the control of the world, establishing a defined order, a classist societarian structure. In another experiment, he could be received and baptized, imagining being ‘chosen’ for several reasons, by being from gender F or M, by the color of the skin: B, W, Y or other, by nationality from A thru Z, or by what he could suppose, even opting for a synchronic choice with the existential situation corresponding to his reality: once the fitting is designed, he could choose how to imagine and think being introduced into a culture where this condition were considered supreme, of the highest value or, inversely, being estimated as worthless, feeling the consequences of these several metaphysical dispositions, cults and visions.

On a more forward-looking and generous point of view, the student could choose to know other rites, as those decreeing being the new born a realization from the cosmos, a universal being endowed of connectivity with the entire nature, from a huge and very old epoch, originating from the infinite and from the mysterious origins still unknown to science! He would be considered son of the Sun, of the Earth, together with all other beings; mineral, flora and fauna. Covered with these existential attributes, with this metaphysical axis, he would enter into a world where he would be equally received this way by other beings.

It would be good if some established churches, prior to baptizing and promoting conversion campaigns, perhaps, truculent messianisms, could equally offer courses showing the several philosophic options available, letting the people choose their ways. This would be to demonstrate respect and worthy and equalitarian relationship. But, for the mean time, yet, for the most well intentioned the several leaders and religious persons might be, the churches appreciate to condemn those considered heretic, but do not like to be brought to life´s arena and to sincere and open-hearted dialogs, to descend from castles and pedestals to face criticisms.

The moment will come, because nature is just and spherical; when to say, thinking and doing have their consequences – even if at a distance, they manifest themselves. On this way, everyone learns and improves him/herself. The more liberty of opinions to the initiative well thinking, the richer and the more complete are the results. Presently, at this pantheist school, the cosmos-existential metaphysical perspective axis has been elected as more judicious and promising, when one seeks a good life in the life being lived: alive, worthy, cheerful, prolific and sensible.

 

 

 

 

 

 

 

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