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De onde vem a ‘minusvalia’? ~ Where does low self-esteem come from?

Rosa02

With english translation below the text in Portuguese

Régis Alain Barbier

Sublime é a natureza; uma simples flor à beira de um caminho, posta em destaque no verde intenso da folhagem, brilha como uma pedra preciosa, colorindo e elevando o ânimo. A natureza-flor aponta na direção de bons sentimentos e humores, de fato, um milagre de esplendor. Um pássaro, um rosto, um gesto, uma nuvem, a relação da flor com a folhagem adjacente induz e faz ressoar um ânimo tendente na direção dessa mesma perfeição; ao contemplar a harmonia da Natureza, por contágio e mimetismo, jorra um movimento em busca de equilíbrio, ponderação, alegria e justiça: virtudes reunidas no amor. Panteísmo, a religiosidade do presente – Barbier, R. A, 2009.

Baixa autoestima, ‘minusvalia’ como dizem os hispânicos, não acreditar em si; carências: de onde vem isso? Como dar uma resposta que não seja por demais abstrata ou teórica, dizer com o coração? Estamos quase todos atolados nessas crenças de que não somos belos nem criativos. Na nossa formação cultural, cujo baixo valor e ineficácia é amplamente demonstrado escutando o noticiário e observando a história, a crença geral é que não somos dignos o suficiente para veicular essas virtudes e outras afins, como sublime, espirituoso, inspirador, iluminador. Isso nos é negado, não pertence aos nossos possíveis potenciais. Porque o mito fundador dessa cultura da indignidade diz que somos essencialmente inadequados, que qualquer virtude maior vem do além, que é lá que fica o lugar onde esses talentos e graças habitam, num plano que não estamos merecendo. Assim mitificados, para nós, em geral, esses talentos não existem, pertencem ao além, não somos dignos, verdadeiramente belos ou criativos. Pensar diferente é tabu, vaidade!

E por outro lado, na escola, se apreende que a consciência é facultativa, agregada ao corpo como se fosse um apêndice, um chapéu, em vez de ser essencial, mesclada ao mundo e às células desde o começo dos tempos e da história. É necessário lembrar que a consciência é consciência do mundo que se conhece através da consciência! Logo, é evidente que a consciência acompanha a criação desde o começo, que ela cresce junto com o mundo, com o corpo, e isso é para mim, para ti, para todos os nossos ancestrais. Ao longo da totalidade do processo evolutivo, as aferências do toque, fluindo desde o começo da vida sensível, veiculam maior sentido, pondo em contato todas as criaturas e espécies ao longo da linha evolutiva e crescimento dos indivíduos até, eventualmente, florir em sabedoria. O que se pode conhecer de efetivo, significativo e real, só pode ser conhecido por nós mesmos ou transmitido por alguém existindo no nosso meio, junto a nós, na mesma especificidade e sintonia, logo, sujeito aos mesmos princípios conectivos e universais.

Esses dois abusos interpretativos, a ideia do afastamento do Belo e da consciência como função facultativa, são errôneos, hipotéticos e abusivos, pertencem à esfera das elucubrações, negam o evidente, o que se comprova apenas por existir como dado-a-ser. Não posso conhecer e atestar nada de sensato, testemunhável, a respeito do que não pertence ao plano existencial real e sensorial, tampouco dizer ou postular nada sobre o que não pode ser conscientizado. Assim sendo, é absurdo  negar o que existe e se sabe apostando em algo impossível de se conhecer ou saber; nos coloca num mundo em que o que é essencial, o valor e a lucidez, são deportados e banidos! A consequência dessas crenças fundadoras, instituidoras dessa ‘civilização’ infeliz, é alimentar uma cultura afastada do que é descrito como ‘divino’ e apartada de uma comunhão empática com a totalidade das coisas, eventos e fenômenos.

Uma vez vencidas essas distorções ilusórias, superadas essas crenças que diminuem a nossa autoestima e sabotam as profundezas da nossa realidade existencial, seremos capazes de reconhecer o Belo e o Bom, sensatos e empáticos como graças presentes entre nós e que a nós pertençam. O que é consciência, o que é divino? Não será consciência uma empatia plena, intuitiva, florindo no sentimento estético, na apreciação do Belo, ampliada nas pautas das abstrações formais e líricas, geométricas, instalando-se mandalas de significado como rosas abertas no coração? Não será divino o amor que transborda as suas fronteiras eminentemente reprodutivas para repicar em todas as escalas e se festejar em cantos de alegria e louvor? Sabemos, por experiência própria e inegável, que calcular, examinar com razão laboratorial destituída de empatia e apreciação estética, achando isso irrealístico ou impossível por decreto batismal, pode ser produtivo, gerar instrumentos de consumo e domínio, vantagens, instrumentalizar as pessoas, mas não satisfaz plenamente o existente cuja conquista e glória verdadeira é festejar o amor que é uma comunhão de consciência, de gestos, de toques na medida do possível, de momentos e ideias.

Quem tem vida firme e forte no coração sabe que se sente feliz gratuitamente, como as codornizes. As flores das campinas crescem à luz do sol, acumulando energia sem prender os raios. Alegria, alegria se acha sempre, transgressivamente, reconhecendo em si as virtudes negadas, o Belo e a consciência, mesmo se for necessário procurar além das estrelas, ainda assim, a alegria será para sempre posta no vaso onde se faz alegre, o coração do ser humano que aprendeu a amar sem nada querer além.

Ó, amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu…

Uma estrofe da Ode à Alegria de Friedrich von Schiller para a 9.ª Sinfonia de Beethoven.

Where does low self-esteem come from?

Translation by Stephen Cviic

Nature is sublime: a simple wayside flower, standing out among the intense green of the foliage, shines like a precious stone, coloring and elevating the spirit. This flower-nature points towards good feelings and moods – it is in fact a miracle of splendor. A bird, a face, a gesture, a cloud, the relationship of the flower with the surrounding greenery finds an echo in any soul that tends in the direction of this same perfection. When one contemplates the harmony of Nature, there gushes out a contagious and mimetic movement in search of balance, reflection, joy and justice: virtues that meet in love. Pantheism, the religiosity of the present – Barbier, R. A, 2009.

Low self-esteem, not believing in oneself; a feeling of something lacking: where does this come from? How can one give an answer that is not too abstract or theoretical, that comes from the heart? Almost all of us are stuck in these beliefs that we are not beautiful or creative. In our cultural formation, whose low value and inefficiency is amply demonstrated by listening to the news and observing history, the general belief is that we are not sufficiently worthy to carry these virtues and other related attributes, such as being sublime, spiritual, inspiring, enlightening. This is denied to us; it doesn’t belong to our possible potentials. Because the founding myth of this unworthy culture says that we are essentially inadequate, that any greater virtue comes from beyond, that that’s the place where these talents and graces reside, in a plane that we do not deserve. Thus mythologized, for us in general, these talents do not exist, they belong to the beyond; we are not worthy, truly beautiful or creative. To think differently is taboo, vanity!

And on the other hand, we learn at school that consciousness is facultative, bolted on to the body as if it were an appendix, a hat, instead of being essential, mixed together with the world and our cells since the beginning of time and history. It’s necessary to remember that consciousness is consciousness of the world that we know through consciousness! Therefore, it is evident that consciousness has accompanied creation since the beginning, that it grows with the world, with the body, and this is true for me, for you, for all our ancestors. During the whole evolutionary process, the sensory nerves – which pour from the very beginning of life — acquire progressively more complex ramifications and interactions, putting all creatures and species in touch with one another, until they eventually flower in wisdom. What one can actually know that is significant and real can only be known by ourselves or transmitted by someone who exists in our milieu, together with us, belonging to the same species and in harmony with us, therefore, subject to the same connective and universal principles.

These two interpretative abuses – the idea of being distant from the Beautiful, and considering consciousness as a facultative function, are erroneous, hypothetical and abusive. They belong to the sphere of theoretical musings; they deny what is evident, that which is proved merely by existing as a state-of-being. I cannot know or bear witness to anything reasonable which does not belong to the real and sensory plane of existence. Nor can I say or postulate anything about that which cannot be brought into consciousness. This being the case, it is absurd to deny that which exists and which one knows, by gambling on something which is impossible for us to know; it puts us in a world in which that which is essential, value and lucidity, are deported and banished! The consequence of these founding beliefs, which established this unhappy “civilization”, is to nurture a culture that is at arm’s length from what is described as “divine” and separated from an empathetic communion with the totality of things, events and phenomena.

Once these illusory distortions have been overcome, along with those beliefs that diminish our self-esteem and sabotage the depths of our existential reality, we will be capable of recognizing the Beautiful and the Good, sensible and empathetic like graces that are present among us and which belong to us. What is consciousness, what is divine? Is consciousness not full, intuitive empathy, flowering into aesthetic feeling, into an appreciation of the Beautiful, broadened out into patterns of lyrical and geometrical abstract forms, with mandalas of meaning establishing themselves like open roses in our hearts? Is the love not divine that overflows its reproductive boundaries to ring out on all levels and to be celebrated with hymns of joy and praise? We know, by our own undeniable experience, that calculating, examining things with a laboratory type of reasoning bereft of empathy and aesthetic appreciation, believing this to be unrealistic or impossible by baptismal decree, can be productive, can generate instruments of consumption and domination, can instrumentalize people, but it does not fully satisfy the human being whose true achievement and glory is to celebrate the love which is a communion of consciousness, of gestures, of as much contact as possible, of moments and ideas.

Whoever has firm and strong life in his heart knows that he feels happy freely, as quails do. The flowers of the prairies grow in the light of the sun, accumulating energy without stopping the rays. Joy, one always finds joy, transgressively, recognizing in oneself the denied virtues, beauty and consciousness, even if it is necessary to search beyond the stars. Even so, joy will be forever placed in the cup where the heart of the human being who has learnt to love without wanting anything beyond that is made joyful.

Oh friends, not these tones! Let us raise our voices in more pleasing and more joyful sounds! Joy, fair spark of the gods, daughter of Elysium, drunk with fiery rapture, goddess, we enter your shrine! Your magic reunites those whom stern custom had divided….

A verse from the Ode to Joy by Friedrich von Schiller for Beethoven’s Symphony Number 9.

Tu és Panteísta, podes reconhecer-te dessa forma?

Janeiro 22, 2013 – Régis Alain Barbier

Sol_lua_RosaTu és panteísta? Tu podes te reconhecer como panteísta? Perguntas estranhas, até mesmo complexas. Três palavras compactando noções difíceis. ‘Eu’, ‘ser’ (deveria escrever com maiúscula? ‘Ser’), ‘o todo’, e, por fim, ‘Divino’. Uma pergunta que corresponde a indagar se ‘esses alguéns’ evocados pelos pronomes (eu, tu, você…) guardam relação de identidade, ou união, com aquilo que corresponde à noção explicitada através dos termos deus, deusa ou ‘divino’, entendidos como totalidade – isto é Panteísmo. É possível afirmar-se conectado, identificado com o divino, entendido como totalidade?

Claro, não é necessário sentir-se obrigado a reagir tão ‘modernamente’ a uma simples pergunta – reação rebuscada, exemplificando a aplicação da ordem das ideias embutidas na postura metodológica neutral, analítica e dissociada, do regard cientificista. Essa reformatação gnosiológica da pergunta subentende, desde já, certo laicismo, marcando um estranho e apriorístico distanciamento do questionamento que versa sobre a relação integrante do indivíduo com o ‘divino-todo’, uma apreciação, um valor, implicando um fenômeno que, essencialmente, não se (re)conhece analisando – elemento de resposta negativo frente ao questionamento? Mas, por sua vez, essa forma de reestruturar a pergunta pressupõe um distanciamento dos doutrinamentos teológicos que dispensam a razão e desaprovam os pareceres próprios – prenunciando-se uma anuência à nossa pergunta?

Na vigência do conhecimento do termo ‘panteísta’, mas na falta de uma elaboração filosófica e linguística frente ao questionamento, poderá surgir uma resposta impregnada de culturalismos introjetados e carregados de emoções, cogitos populares: “Como um sujeito comum ousa imaginar-se equivalente a uma ‘entidade divinal, oriundo de algum ‘céu’, quiçá trazendo uma mensagem redentora?!”. Provavelmente, outros cogitos e sensações ecoam dessa caverna de preconceitos: sentimentos pouco formulados, alarmes sinalizando a aproximação de tabus, ironias, escudos para tamponar desafios e ideias que inquietam porque confrontam com arranjos batismais gravados e assimilados por catequese: “Um enviado do céu! Só se for um ‘avatar’ adormecido, um simples albatroz batendo as asas nos pontais, isso sim!”.

Não tendo sofrido significativas impressões teológicas batismais, criado como recurso humano (RH), em pátios produtivos e apoéticos de algum estado grosseiramente sociocrático, o indagado poderá cogitar: “Questionamento de poetas e desocupados – vamos trabalhar pra pagar as nossas dívidas e juros!”.

Indubitável, praxes e dimensões cognitivas singulares e diversas suportam ou desmerecem o questionamento. Em referência a essas ‘esferas divinais’, muitos acompanham normas condicionadas com gestos repetitivos, coisas similares a cacoetes e trejeitos: quem não viu esses sujeitos que se persignam a fronte, a boca e o peito, olham para cima ou beijam os dedos cada vez que passam na frente de alguma igreja, templo ou símbolo, evocando o divino de acordo com suas culturas e cultos batismais? Elevam os olhos, murmuram sons e rezas sem elevar ideias algumas, tampouco sentimentos específicos – ganhos, gols, gratificações diversas e proveitos se acompanham dos mesmos gestos! Cogitar relações de elevada grandeza, de alguma forma significativas e examináveis, estéticas, com esse ‘Todo’ divinizado, sublime, exige uma compleição cognitiva ampla, disposta a considerar e apreciar esses ‘universais’: um ânimo filosófico e sensível, liberdade, isto é ser artista ponderado e poético. Obedecer a cultos tradicionais e dominantes, a mitos midiatizados introjetados antes da idade da razão, não exemplifica afiliações examinadas e confirmadas, sequer a capacidade de escolher algum rumo ou identificação nessas alturas vertiginosas. Para muitos, embora homo sapiens, a pergunta nada significa.

Portanto, para significar o questionamento proposto é necessário superar ritos, medos, condicionamentos e deslocamentos irônicos, dispor de categorias cognitivas adequadas, acrescidas de autoridade criativa e gosto; poder responder, significativamente, a tal questionamento exige sensibilidade, intuição mística e abstrata para optar e apreciar decursos que não se decidem repetindo opiniões ou equacionando conceitos, mas sentir de primeira mão a virtude dessa relação intuída e cogitada como coexistência unitária entre a divina totalidade (Deus) e si mesmo, em si mesmo.

É que ‘si mesmo’ e suas relações não se equacionam com as coordenadas lógicas que delimitam objetos considerados nas suas formas sincrônicas – os limites que instrumentam e condicionam concretudes, como a mesa e o monitor na sua frente, o teclado, a página, desconsiderando os procedimentos fabris e as causalidades correspondentes acontecendo ao longo de infindas cronologias – a extração e reunião dos componentes, os projetos e processos de transformações… É que ‘si mesmo’ é si mesmo desde o começo, desde os confins da lucidez e formação primordial, não é coisa que se matematiza ou delimita com ‘outra coisa’. A amplidão que se desvela ao olhar perspicaz exige evocar um ‘valor próprio’ que não se equaciona com limites, um valor que se sente e se ressente em si mesmo, por si, a partir desse interior-em-si: evocando uma trama fenomênica que não pode ser coisa, tampouco outra coisa, a não ser como metáfora.

Do amor e desejo, modos do atributo ‘cogitans, ou mente’, como sentimento e vontade compartilhados entre genitores, que são, igualmente, pessoas físicas e atuantes, ou seja, modos do atributo ‘extans, ou corpo’, proliferam descendentes que são expressões dos mesmos atributos, em muitas gerações, infindos modos e configurações infinitamente graduados. Infinita é essa realidade existencial que evolve, e, em tudo o que relata a todos nós revela ser dessa forma, testemunha necessária da totalidade dos mundos imagináveis; não há corpos, objetos ou mundos pensáveis, sem infinitos sujeitos, senhores da imaginação.

Logo, a magnitude criadora assim explicitada para todos e tudo é o Todo que é Um, seja Cosmos ou Deus – em todo caso, absoluto ou divino. Para admirar e contemplar esse grande estado-de-ser, igualmente absoluto e singular, autopoiético e infinito (até prova em contrário) não necessito imaginar ou argumentar uma ou outras entidades substanciais geradoras potenciais desse Todo – mono ou politeísmo – e, caso o faço por vias de doxas e gostos infundados, não posso, em consciência e lucidez, afirmar uma ruptura substancial entre essa(s) suposta(s) entidade(s) e a realidade: o que confirmaria a abusividade da imaginação e pretendidas conclusões. Ensinar absurdezes dogmáticas e desnecessárias leva a realizações culturais absurdas e desnecessárias, potenciais pesadelos que se dissolvem à luz do bom senso natural.

Para bem opinar, com autoridade, sobre a totalidade, o Todo, não se pode jamais desmerecer esse cogito intrínseco que é aquilo que justamente não se delimita, mas se esgota e dilui em ‘não saber’ nos confins e potenciais das formas e da lucidez, do estado-de-ser. O Todo permanece conhecível como uma trajetória intuída nos compassos das apreciações e abstrações até aos confins do possível e do Cosmos, mas infindo e indelimitável. Elevar uma fronteira aparente, um limite reduzido e objetificado – como acontece entre a linha do horizonte e o céu – como símbolo para o estabelecimento de uma metáfora mitificada em narrativa, e cantar: “um Deus celestial e sobrenatural criou o mundo onde, e, por ele, fui lançado para vida”, configura uma produção ideológica. Uma elucubração teorética que subordina rusticamente a apreciação autoral, com razão qualificada e infinda de si mesmo no contexto da lucidez natural, a um conceito limitador, logo, limitante e limitado, que objetifica o estado-de-ser imenso e unitário em, de um lado, um estado reduzido às suas aparências, e, do outro, um ‘ser’ radicalmente utópico, rompendo com a apreciação sábia continuada da totalidade infinda, a mercê de um Grande Sujeito dissociado; isto é um ‘Deus’ em oposição a um pequeno sujeito, ambos interagindo, banindo-se mutuamente.

A mitificação substitui e rompe o Todo em dois eventos: o Deus do teísmo hierarquista que aparece e surge nesse momento, nesse espaço mítico, como Grande Sujeito, e, o pequeno sujeito, objeto nas suas santas mãos, ou seja: o ‘espírito do homem’ versus o ‘espírito de Deus’. Mas, nas adjacências dessa igreja globalizada o Grande Espírito dos indígenas, gentílicos e pagãos continua apontando o Todo que se aprecia do interior-em-si, sem dicotomias – a mão humana é sagrada.

Aceitar a objetificação mítica do estado-de-ser natural e lúcido por intermédio dessa narrativa e enquadramento ideológico dualista, advogando, de um lado, esse deus sobrenatural que criou o mundo para pôr o homem num castigo redentor, é ser teísta, é romper a consciência vivaz e natural do Todo; recusar essa narrativa sustentando essa lucidez natural e ilimitada é ser panteísta.

Mas, tu, amigo, hoje mergulhado nessas cidades e nações superestratificadas por ditadores de normas abençoados por ‘elites sacerdotais’ – que afirmam conhecer, por revelações históricas e peculiares, um domínio que reside além do que o pequeno espírito do homem pode saber – corruptela mítica desse Todo que se conhece e reconhece até os confins do ‘nada sei’ de Sócrates e dos pagãos . Tu, apesar de te sentires imerso nesse mundo brumoso, dize-me: ocasionalmente, não terias, ao menos na juventude, sido visitado por um gênio, um artista sublime e desobediente, inconformista, como certos renascentistas ou ‘iluministas’?

Não terás sido visitado por uma onda repentina de imaginação e intuição venturosas, associada a um humor forte, erótico ou extático, similar ao desses antigos heróis como se descrevem na literatura e nas artes? Isto é, tocado pelo mesmo ‘daimónion’ ou gênio que animava os Sócrates e demais pagãos que viviam além das fronteiras dessa muito ‘estranha’ civilização. Estranha diversas vezes porque teísticamente dissociada do Todo por decreto mítico; estranha porque refugiada num laicismo cientificista que pretende cogitar tudo racionalmente, colocar o mundo que só pode ser humano antes de ser ecológico, nas pautas da observação objetiva – hipótese das hipóteses; estranha por obrigar muitos cidadãos – bem no fundo, amedrontados tanto pelos anátemas batismais quanto pelas vertigens correspondentes a intuir-se surfando numa onda de mistério – a fugir em figuras irônicas, críticas irresponsáveis e descasos, exclamando: “esse Todo é um Nada, vamos nos embebedar…”; finalmente, talvez, um mundo ‘estranho’ por razões verdadeiras… de fato ‘espanto verdadeiro’: o avesso sagrado e místico da estranheza cultural!

Não terás admirado, espantado, pedaços rasgados de céu, mares ou campinas, descortinados depois de escalar dunas e taludes? Não terás vivenciado essa sublime expensão do ânimo como brisa ou vendaval ampliando até a linha do horizonte, meteoro rompendo em ‘ah!’, ‘ah!’ intensos como eurecas! Ou esses encontros selvagens e subversivos, pré-predicativos ou pré-batismais, teriam acontecido catando coisas miúdas como conchas na areia, pedrinhas, flores campestres, esparsas na grama das ribanceiras, respingos coloridos de fadas! Quiçá, algum perfume proustiano, insinuando-se de repente, como o cheiro do pão dourado, perfume ideal, certamente, mas, igualmente, quente e apetitoso, imanando da cozinha do vento? Talvez um simples estribilho de rouxinol; ou um jogo de sombras e luzes pipocantes, amarelas, verdes e violetas, respingando da copa dessa árvore ancestral. Cochilando na relva, talvez, sentiste esse deslize suave subindo pelas pernas, enlaçando o corpo, para, num súbito abrir de asas, cabelos eriçados, teres sido lançado no espaço sideral, cavalgando um dragão cósmico! Ou então sonhou receber a solene incumbência de descortinar a alvorada e acordar o mundo, ainda procurando o cordão da cortina celestial nas nuvens azul e branca da alvorada do seu próprio despertar? Coisas ainda mais estranhas aconteceram? Pode ser sinal de que és um dos integrantes dessa bandeira cor de Sol e de Lua.

Nesses termos selvagens, elaborados antes das mitificações sectárias, ideias sensíveis dos indígenas, artistas, pagãos e gentílicos cujas escrituras são feitas de contato e relações nativas, de elãs verdadeiramente humanos, de vontades que superam essas vulgares e midiáticas sedes de poder, de conexões abalizadas por si mesmo, em si mesmo: o que é ser deus-Natureza, divino com toda a lucidez?

É ser plenitude, infinito, absoluto, Belo e sublime! É o Cosmos admirado pelos artistas e poetas, por aqueles para quem esse conceito de ‘deus’ como coisa sobrenatural é uma simples pomba desgarrada volitando acima dos telhados. Deus não é coisa acima pendurada, banido, derrotado numa cruz: é sentimento vivo e divino, é o sublime em que vivem os que conhecem o ilimitado como processo infindo que começa nas brumas originais, nascimento de si mesmo junto com o universo, até um fim que jamais se contempla e por isso, efetivamente, não existe, como avisava o sábio Epicuro. Deus é o Belo, é o divino que comove e que se reconhece nas linhas que se denotam, conotam e ocultam, onde for quer se esteja, como dizia o poeta e dizem os artistas. É o universo, um-e-diverso, sem começo e sem fim, junto com as nobres virtudes que condizem, expressando o Belo que se pode admirar na natureza e apreender numa boa educação, sensata e libertária. Uma Paideia formadora de indivíduos sensíveis, pensantes e criativos, que sabem diferenciar o real dos mitos fabulosos e reconhecem a realidade dos mitos sensatos no que se pode cantar e louvar por si mesmo e em si, como profetas e salvadores de si, salvos da ignorância atávica dos que queimam bibliotecas e bibliotecárias, que matam e mutilam mulheres e crianças.

A que expressão poética-filosófica, a que doutrina ou cosmovisão corresponde esse divino verdadeiro? Às revelações tétricas dos teísmos elitistas, evocando esses deuses tão rogados, mas que não descem e depreciam as suas próprias criações, ordenam seu mandamentos eternamente desobedecidos, colocam os seus filhinhos em infernos; divindades escassas e lacônicas, apartadas, privativas de nações e etnias, cercadas de servidores prepotentes, figuras de teatros empoleirados em pirâmides hierarquistas e ruínas de impérios, repartindo o divino em fatias fiduciárias e contadas?

Ou divino é a deusa-Natureza, plena e infinda, bela e sublime, correspondente a uma doutrina aberta que desvela um divino imanente e farto, democrático, presente como o pardal que um dia decorou o ombro do poeta cavalgando para cidade, o mesmo pardal que pousava nas mãos de Francisco de Assis, meio santo e meio sábio, imprensado entre as visões da natureza própria e das garras da cultura despótica do medievo, ao ponto de loucura; uma deusa clara como a luz da Lua refletindo o Sol, como esses deuses gregos das primeiras colunas, as divindades das crianças, dos jônicos, pagãos, indígenas, gentílicos, filósofos, artistas e poetas?

Divina, indubitável e comprovada, batendo no peito: é a consciência que celebra a unicidade nos momentos extáticos e serenos, como o perfume do jasmim que incensa nos intervalos dos dias e das noites; divina é a seiva do corpo natureza que segue repicando junto com os sentimentos, pensamentos até poemas, desde o início dos tempos, numa corrente única e infinda de causas e efeitos. Natural é a consciência que percebe que o ato criador se move em tudo e atua no presente, no tempo da força que perdura cercada do halo das conjugações subalternas que não são jamais efetivamente pretéritas, tampouco futuras, mas que se presenteiam e se precipitam no abismo do momento que não cessa de zunir esse ‘OM’ cristalino dos que meditam e contemplam por si só, longe das basílicas góticas e suas abóbadas de dogmas. Fiéis são os que reconhecem que a força unitária resplandece e jorra de todos os poros e frestas de tudo quanto há: para cantar, graciosa e sem dever, uma alegria amorosa e pacífica no coração dos existentes entusiastas.

Ateus simples, simplesmente, ateus, são os que se imaginam indivíduos isolados, apartados do Todo, acontecendo na terra por acaso, embora celebrando os afluxos que advêm entre as portas do sensório e as impressões do sujeito, não conseguem saborear a graça essencial do mistério que se coleta e sintetiza, como abelhas fazendo mel, no diálogo responsável e verdadeiro da consciência e da existência.

Ateus mórbidos, são os que se imaginam lançados num ‘mundo material’, caídos de outros planos, por acidente ou para purgar pecados: desprovidos de intuição cósmica e bom senso, atrelados a normas e escrituras, elucubram deuses caprichosos e sisudos, computando pontos, distribuindo castigos e merecimentos, sofrimentos educativos, penitências e recompensas post-mortem! Esses fazem da divina alegria e bom-humor uma coisa consignada. São ateus mórbidos porque não reconhecem que Deus é o princípio vital e atuante que permeia todas as formas e manifestações, pensam num deus como potência nominal, lugar e campo reservado para escolhidos e privilegiados: com efeito, são sisudos e sectários, lutando entre si.

Se tu consegues perceber e sentir que divino é o elã vital que atua em tudo quanto há, presente nas borboletas e nas flores, no gorjear do passaredo, no fluxo infinito das formas em união com os sentimentos e ideias próprias, no ritmo da beleza e da leveza; que divina é tua existência percutindo o mundo, teu sentimento e pensamento tocando e abraçando, conhecendo, então: tu, com certeza, não és hierarquista elitista, ‘eliteísta’, não é ateu simples, tampouco mórbido: é terráqueo mesmo, cidadão de todos os azimutes, indígena irmanado à fauna e à flora, estado-de-ser infinito, feito de carne e consciência transbordante de Théos e Kósmos: é fonte de vida cristalina e clara. Indubitavelmente, tu és panteísta, com certeza, é casa panteísta!

Deus não é algo apartado e alhures – alhures não existe; o divino, isto é Deus, é estado-de-ser absoluto; é a união firme e inseparável da totalidade da consciência e das formas; é o balanço do mar e da areia burilando os litorais; é a onda da consciência e existência desenhando suas formas, rompendo em espantos cristalinos, destilando virtudes como vinhos rutilantes em taças de cristal; é o clarim dos cristais chamando: “desperta, desperta, canarinho, tu és o canto da alvorada!”

Em todo caso, não vieste ao mundo oriundo dessa genealogia carimbada em ofícios, referentes a cidadanias, fronteiras, burgos e pias batismais. Tua origem é categórica sim: criatura infinda, oriunda das nebulosas! Há bilhões de anos a alquimia ou arquitetura cósmica condensou energia sideral terraplanando inúmeras moradias celestiais. Hoje, vives rodopiando no céu, assentado numa esfera azulada e gigantesca, junto com boa parte dos demais seres que antes de ti forjaram o teu corpo; organismo comprido e largo como dias e ciclos sem fim, cujos extremos já vividos fragmentam e desprendem de ti, sedimentados na história, como a poeira das estradas. Tu não és aquele que passa e que se desprende; tu és o que perdura como o centro de Parmênides; mas, igualmente, se renova como o fluxo de Heráclito; o teu sentido transcende os instantâneos existenciais. Tu és a dança sagrada da luz e da poeira que cria sem cessar, jorrando mundos, fonte eternal: sim tu és a luz e todas as formas, as substâncias formadoras, as ideias e as mãos, criando mundos teus. Tu és o centro do fluxo e a periferia, a consciência que vibra nos intervalos destas linhas, a atmosfera viva, azul e amarela, as fronteiras verdes e vermelhas de todas as tribos, uma vaga de cores riscando o infinito, gerando sentidos: tu és o senhor dos significados, aquele que acontece junto aos enquadramentos da natureza, saboreando experiências variadas, de acordo com que pensa de ti mesmo, até um ponto a ser bem acordado entre deixar fluir a natureza e reger tuas ideias, cultura e civítica. Então: quem és tu? Tu o dizes!

Conhece-te a ti mesmo ~ Know yourself

espelho

With english translation below the text in Portuguese

Régis Alain Barbier

“Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum” – Frase atribuída a Tales de Mileto (624 a.C – 558 a.C) considerado o primeiro de todos os filósofos.

Poucos entendem o significado evocado pelos termos religião e culto. Impregnado dos conceitos arcaicos da escolástica, revividos cada vez que um sacerdote instalado numa edificação gótica eleva a hóstia sagrada dizendo “isso é corpo e sangue do senhor”, o comum dos mortais – todos que não praticam a filosofia, a arte mais difícil de todas, nos ditos de Álvaro Ribeiro e muitos outros – desentende a função mais criativa e regente da psique, confundindo interpretações intelectuais e idealísticas, desprovidas de intuição, com realidades: a realidade dos universais – a ilusão dos que imaginam que ideias gerais são coisas-em-si, representando realidades separadas do mundo sensível, volitando num além povoado de demônios ou anjos pensativos.

A interpretação e produção mítica, simbólica, são as funções mais basilares  e impreteríveis da psique, atuam estruturando, ou formatando, os enquadramentos metafísicos secundários internos e externos, isto é: a esfera gnosiológica onde se define a capacidade de alcance da visão e da intuição, e  a esfera fenomenológica  onde se demarcam os ordenamentos políticos das cidades e sociedades.

Se você imagina que existe um plano ideal separado do seu alcance intuitivo e visionário, impossível de ser penetrado sendo o que você é naturalmente, você está em situação difícil, deslumbrado, eventualmente, destinado a padecer nas garras dos fundamentalistas! Se você acha que essa ideia é absurda, que esse plano e conceitos não existem, você esta igualmente prejudicado, despojado da sua força poética, sem compreender, tampouco interagir efetivamente com as configurações políticas  da pátria, deixando para outros o poder de agir, sendo destinado a padecer em ditaduras.

Intuitivo, senão ideal, esse plano existe fortemente atuante, negado ou não; a sua integridade funcional define o homo sapiens verdadeiro e são. Esse plano existe, você sabe disso rememorando um pouco da sua vida pré-escolar ou pré-predicativa, o que acontecia no mundo das sincronias, quando a sua visão se diluía nas coisas visionadas e seu ser penetrava as paisagens em união, do zênite ao horizonte, revelando o que de fato é: um estado-de-ser fenomênico e universal, hoje desconhecido e perdido.

Se você acredita que existe uma esfera divinal e regente acima da sua cabeça, invisível, operando como um céu de constelações mandatórias, a partir de um espaço que lhe é desconhecido por ser o que você é; mas, reservadamente, visitado por outras criaturas parecidas com você, humanas igualmente, mas especiais, escolhidas, prediletas das forças supremas, você é um crédulo, escravizado, dominado e superestratificado pelas ideias, pelos conceitos, pelas imagens e pelos mitos. Lançou fora a sua intuição profunda e visionária, desistiu de ser poeta e filósofo, saiu da linha vanguardeira da evolução antes destinada a revelar a verdadeira humanidade na sua forma mais autonômica e poética, criativa. Se você combate essa  crença, jogando fora a criança e o berço, eliminando a visão-intuição, junto com o entendimento do significado dessa função visionária, você, igualmente, se torna menos do que deve, um escravo dos objetos, um produto, um amante do ter, da técnica, preso na mecânica do mundo e a ela agregado como um simples recurso, um pião na engrenagem, auxiliando a destronar a arte da filosofia genuína a favor da arte da arrumação.

Esse desentendimento dos assim chamados ‘universais ’ reflete uma ignorância existencial e basilar: o desconhecimento de que todas as categorias, da matéria densa até as visões e intuições mais abstratas e sutis, fenómenos e ‘revelações’, pertencem ao estado-de-ser que somos, integrando, com magna totalidade e funcionalidade, a esfera existencial. O materialismo e idealismo são duas pragas cognitivas, pilares da disfunção societária em que estamos metidos, afastados  da pátria verdadeira, local sublime onde dormem  os ancestrais e entre nós  vivem os deuses.

Acreditar nesses mundos  das ideias inalcançáveis visitados  por elites, ou reagir apostando num mundo de objeto, denigra e reifica a inteligência lúcida  e poética em um sistema de automatização sofisticado, uma elaboração cultural que se afasta da linha evolutiva para entrar numa vereda destinada a erradicar o homo sapiente, hoje raça em perigo de extinção iminente.

Apenas reconhecendo, como qualquer criança saudável, que somos o que se apresenta a nós, fará ressurgir os arquitetos de que carecemos  para reconstruir a cidade perdida, o império da paz, a pátria verdadeira onde todos são criaturas diletas do sagrado. Reconhecendo que a consciência coabita com o cosmos em união, faz compreender que as nossas visões, sonhos e mitos decorrentes  são os instrumentos que definem o nosso valor e sentido, os potenciais a que fazemos jus: o que se revela a cada um reflete o que deve ser posto e examinado no anfiteatro dos diálogos, é a fonte de lucidez e saber que deve motivar os nossos movimentos e atos conjuntos como grupos sociais.

A compreensão dessa união cósmica e fenomênica, entre a consciência do mundo e o mundo da consciência, faz compreender o que se sabe naturalmente por sermos  filhos e filhas do universo: que tudo o que nos cerca é sagrado, devendo ser preservado e cuidado como cuidamos de cada um dos nossos cabelos; que ninguém e nada deve ser grosseiramente usado ou desrespeitado, porque somos um só organismo e ser. É esse o entendimento que hoje amadurece,  a frutificação da inteligência que poderá fazer uma diferença significativa nos destinos da humanidade.

Know yourself

Translation by Stephen Cviic

“Know yourself and you will know the entire universe and every God, because if what you´re looking for you firstly don´t find inside yourself, you won´t find nowhere” – Phrase supposedly asserted by ‘Thales de Mileto’ (624 b.C – 558 b.C, considered to be the first of all philosophers.

Very few understand the meaning evoked by the terms religion and cult. Impregnated with the scholastics archaic concepts, revived every time a priest installed in a Ghotic building raises the sacred Eucharistical bread saying ‘this is Lord´s body and blood”, the common of the mortal beings  – everyone not practicing philosophy, the most difficult art of all, as said by Álvaro Ribeiro and many others – misunderstand the psyche´s most creative and ruling function, entangling intellectual and idealistic interpretations, deprived of intuition, with realities: the reality of the universals – the illusion of those imagining that general ideas are things-in-itself, representing realities separated from the sensible world, flying beyond a settlement of musing devils or angels.

The interpretation and mystic, symbolic production, are the psyche´s most fundamental and unsurpassable functions which act structuring or formatting the inner and outer secondary metaphysical framings, that is: the gnosiologic sphere where one can define the vision and intuition reach capacity, and the phenomenologic sphere where the political ordainments of cities and societies are demarcated.

If you imagine that there is an ideal plan separate from your intuitive and visionary reach, impossible to be penetrated, being what you naturally are, you undergo a difficult situation, eventually fascinated, destined to suffer in the fundamentalists´ claws! If you think this idea is absurd, that this plan and concepts do not exist, you are equally impaired, deprived from your poetic strength, without neither understanding nor effectively interacting with the  country´s political configurations, leaving to others the power to act, being destined to suffer under dictatorships.

Intuitive, but ideal, this plan exists strongly active, negated or not; its functional integrity defines the true and sound ‘homo sapiens’. This plan exists, you know that shortly remembering about your pre-scholar or pre-predicative life, what happened in the synchronies world, at the time your vision became thinner when viewing things and your being penetrated landscapes in union, from zenith to the horizon, revealing what in fact it is: a phenomenic and universal state-of-being, now unknown and lost.

If you believe that a divine and ruling sphere exists above your head, invisible, operating as a sky of mandatory constellations, from a space unknown to you for it is what you are; but, reservedly, visited by other creatures, looking like you, equally human, but special, chosen, favorite of the supreme forces, you are a credulous person, enslaved, dominated and super-stratified by the ideas, concepts, images and myths. You threw away your deep and visionary intuition, gave up being a poet and philosopher,   abdicated from the pioneering line of evolution, formerly destined to reveal the true humanity in its most autonomic, poetic and creative form. If you fight this belief, throwing away the child and the cradle, eliminating the vision-intuition, together with the understanding of the meaning of this visionary function, you, equally, become less than you ought to, a slave of objects, a product, a lover of having, of technique, captive in the world mechanics and aggregated to it as a simple resource, a dent in the gear, helping to dethrone the art of genuine philosophy in favor of the art of arrangement.

This misunderstanding of the so called ‘universals’ reflects  an existential and basic ignorance: not knowing that all categories, from the dense matter to the most abstract and subtle visions and intuitions, phenomena and ‘revelations’, belong to the state-of-being that we are, integrating, with great entirety and functionality, the existential sphere. Materialism and idealism are two cognitive plagues, pillars of the societarian  dysfunction where we are engaged, separated from the true motherland, sublime place where the ancestors sleep and the gods live among us.

To believe in these worlds of unreachable ideas visited by elites, or to react, betting in a world of objects, denigrates and reifies the lucid and poetic intelligence in a sophisticated automatism system, a cultural elaboration that deviates from the evolutive line to enter into a path destined to eradicate the wise ‘homo’, now a race in danger of imminent extinction.

Only acknowledging, as any healthy child, that we are what appears to us, will cause to emerge again the architects lacking in us to rebuild the lost city, the empire of peace, the true motherland where everyone are beloved creatures of the sacred. Recognizing that the conscience cohabits with the cosmos in union, makes one understand that our elapsing visions, dreams and myths are the instruments defining our value and sense, the potentials we are entitled to: what reveals itself to each one, reflecting what must be displayed and examined in the dialogs amphitheater, is the source of lucidity and knowledge that must motivate our joint movements and acts as social groups.

The understanding of this cosmic and phenomenic union, between the world conscience and the conscience world, makes one understand what is naturally known why we are sons and daughters of the universe: that everything around us is sacred, and should be preserved and taken care of as we take care of each one of our hairs; that no one and nothing should be rudely used or disrespected, because we are a single organism and being. This is the understanding that matures today the fruits of intelligence which might make a meaningful difference on the destinies of humanity.

Consciência panteísta ou consciência cósmica? ~ Pantheistic consciousness or cosmic consciousness?

Galo2

With english translation below the text in Portuguese

Régis Alain Barbier – 16/01/2013

A consciência-conceito que hoje se evoca e se denomina panteística (‘o Todo é divino’, ‘o Todo-É-deus’; ou ainda ‘o Cosmos> igual> deus’) é o mais antigo e fundamental insight filosófico, a mais original iluminação que, por necessidade, acontece à luz da razão natural: é a sensatez dos sábios e o bom senso natural dos indígenas, pagãos e gentílicos!

A consciência panteísta é a consciência universal ou cósmica. É a luz pristina e magna que existiu, irradiante, nos portais da nossa civilização, na Jônia antiga, pré-socrática. É a consciência unitária geradora das primeiras formas verdadeiramente democráticas de convívios, apenas possíveis, reais e sinceros, quando cada uma das criaturas é considerada com fraternidade unitária, pertencente a esse todo, espantoso e magnífico.

A consciência panteísta, ou cósmica, é a consciência mais nobre, hoje marginal, que imperava na ordem da lucidez que brilhava antes desse  tropeço ilusório, sociocrata e corrupto, no qual muito estão, ainda hoje, objetificados em recursos produtivos, versão laica dos anseios teocráticos alavancados nas ideologias messiânicas geradoras de ordem e corpos produtores de sofrimentos ditos ‘redentores’: terreno urbano como baldio poluído e inóspito da city contemporânea; com efeito, ethos de banidos e sitiados – comprovando uma cultura derrotada, advogando um destino que se realiza no futuro e na morte, um divino afastado, representado por especialistas, um porvir, sempre porvir, como cenoura na frente do focinho.

Invadindo o ocidente desde a destruição da Jônia antiga nas polarizações rústicas do masdeísmo e maniqueísmo, um teísmo hierarquista e elitizado, aliado a uma prosaica e rude sede de poder, é gerador fundante de todos os dogmatismo, oposições, guerras primárias ou resultantes, ditas ‘santas’ ou não, fanatismos e inquisições.

Mas o impulso superestratificador típico do homo habilis e oeconomicus, ainda presos nas garras do apego e dos instintos brutais e belicosos, se supera e se transcende em ‘conatus’ (ou elã glorioso) com o advento do homo sapiente-sapiente, graduação evolutiva da espécie humana; igualmente, natural e cultural, realizável desde do alto paleolítico – ainda em construção apesar dos handicaps.

A consciência universal, cósmica ou panteísta, é lugar próprio e acessível às crianças, reencontrado, espontaneamente ou com terapias, pelos artistas, poetas entusiásticos, vanguardistas e alguns filósofos: é o acordar do menino Jesus no coração de cada um, onde, e apenas, existe e ‘agasalha’, como narrado magistralmente por Fernando Pessoa, no poema do heterônimo Caeiro – Num Meio-dia de Fim de Primavera.

…Essa criança tão humana que é divina;
É justamente a minha vida quotidiana de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre…

A magna ampliação fenomênica da consciência – realização existencialista, poética e filosófica – é a nobre intenção que atualiza e coroa essa unidade divinal que é o reconhecimento do Todo como lugar próprio, sincrônico, original e genuíno do verdadeiro Deus e verdadeiro Humano.

Saber-se unido nas mensuras existenciais mais intensas e originais, integrado ao Todo, é a consciência central, religiosa e mística, que naturalmente imperava, sem necessidade de descrição ou explicitações, até Sócrates inclusive, antes de ser submergida na maré arcaica e sisuda dos que ainda acreditam ser alimentos de deuses castigadores e objetos produtivos, ou, que exorbitam imaginando que ser divino, entusiasta e poeta, superar as emoções mais grosseiras, recomeçar e ressignificar sempre, é ser mágico – levitar, andar nas águas e ressuscitar mortos!

Antes do advento provável de horas mais trágicas, há de acordar a legião dos que dormem na subconsciência ilusória, embalados por esotéricos representantes do além, imaginando-se divididos em si mesmos, separados da essência, lançados numa terra de lutas e de ferro, e, assim sonhando e crendo, vivendo separações, rogando e consagrando perdurantes sangrentas desuniões.

Como alguém pode imaginar estar separado, apartado da própria existência, da existência em si, que é o verbo ‘Ser’ conjugado na realidade do presente: efeito necessário da ‘substância’ original? Acreditar ser apartado dessa essência existencial, do ânimo primordial – que, não sendo um vácuo, só pode acontecer jorrando e se manifestando – é acreditar não existir, é confundir sonhos depressivos, carência de resiliência, encurralamentos acidentais em aridezes sem flores e sem pássaros, com o que é real.

Panteísmo! Panteísmo evoca não tão só o hen kai pan dos gregos (tudo é um); mas, igualmente o ‘Om’ dos mantras, da Ioga e do Zen, incitando a recordar (anamnese) essa união que sela a vida no cunho mesmo do sublime, no espírito da criança, na sincronia que acontece, no arquétipo que manifesta, de você mesmo leitor, antes de sofrer o anátema e ter que conviver com a ideia não desafiada de ter sido jogado na ‘matéria’ para purgar pecados que não lhe pertencem.

Ser panteísta é entender que o Belo não reside na morte, no além vida, que não exorbita em algum lugar de impossível alcance, como imaginam os teísta e panenteístas, mas repica todas as manhã com o triplo cantar do galo e alumiar da natureza, no fluxo da vitalidade, que é infinita e que por isso nos transcende! A vida é uma atuação potencialmente infinda; sublime e bela quando se apresenta e exulta na natureza respeitada, na criança recebida com esse ‘Namasté’; atuação genésica que acontece numa forma ou de outra. Divino, na esfera existencial onde se faz política, é potência infinita, eternamente criativa, novel e necessariamente atual!

Como são pobres os que ainda vivem presos às logicidades arcaicas da escolástica, confundindo métodos e matematismos com ‘coisas-em-si’ desprovidas de sujeito necessário.

Como são pobres os que não sabem reconhecer o mistério do grande paradoxo unitário que determina a evolução criativa, espiralada e infinita, que não tem origem, o Cosmos que é verbo absoluto e objeto infinito de si mesmo, totalidade que jorra de si em processos e ciclos infindos de criatividade.

Como são pobres e ingratos os que acreditam ser a vida um purgatório – a vida onde nascem as flores, as borboletas, as crianças e filhotes, todos esses ‘entes’ que reunidos entre si e seu contexto, em harmonia, configuram, in totum, o Grande Ser.

Como são pobres os que veem a vida como algo ilusório, introito mortal de um paraíso post-mortem, imobilizado em perfeição cristalina, mas dados a ‘acidentes’: não enxergam e não reconhecem a beleza e grandeza do que é; não são poetas, muito menos autopoiéticos, são objetos nas garras das normas e ditados, vivem abaixo dos mitos que seus ancestrais criaram interpretando e significando símbolos.

Ser grato, honrado e digno é festejar a vida com a nobreza e sobriedade de um Epicuro, com a firmeza e força de estoicos como os Epitetos e Sênecas, com a coragem e destemor de Sócrates que na praça da Atenas decaída ousava dizer e contar a beleza, rompendo os dogmas, elevando o saber à altura do mistério que se encontra quando se reconhece que a verdade supera as coisas da especulação racional que anseia fazer das logicidades escolares da pequena razão calculista uma baliza decretando o que deve, descrevendo o que é e o que não é!

Sei que nada sei: é a sentença que decreta que ter humildade é reconhecer que o Belo não pode ser narrado em escrituras e dogmas, mas que aparece e se revela para reger quando se repousa em contemplação, além dos limites das racionalizações ‘x’ ou ‘y’, isso ou aquilo, tudo ou nada, céu e inferno.

Sei que nada sei é a justa e sábia sentença que aponta o magno mistério que bem se conhece, mas não se diz por ser vazio de distinções polarizadas, desprovido de hierarquismos e logicidades movedores de coisas e representações. Sei que nada sei é reconhecer e conhecer esse Todo com sentimento profundo e bom senso, com a razão qualificada e a ‘paradoxia’ dos sábios, que sejam da Jônia, dos himalaias, das cordilheiras andinas ou das florestas tropicais, das beira-mares ou dos desertos, escondidos nas metrópoles: homens e mulheres que souberam conservar a unidade e veracidade das crianças!

Pantheistic consciousness or cosmic consciousness?

The consciousness-concept that today one evokes and is called pantheistic (‘the Entirety is divine’, ‘the Entirety is god’; or yet ‘the Cosmos> equal> god’) is the most ancient and fundamental philosophic insight, the most original insight that, necessarily happens at the light of the natural reason: it is the wisdom and   natural good sense of the pagan´s and the heathen´s.

The pantheistic consciousness is the universal or cosmic consciousness. It is the primeval and magna light that has existed, irradiant, on the frontispiece of our civilization, in the ancient, pre-Socratic Ionia. It is the unitary consciousness  producing the first truly democratic, only possible, real and sincere forms of social contact, when each one of the creatures is considered with fraternity, belonging to this astonishing and magnificent oneness.

The pantheistic or cosmic consciousness, is the noblest consciousness, considered marginal today, that used to reign and shine prior to this illusive, sociocratic and corrupt stumble, on which many are, still today, objectified in productive resources, laical version of the theocratic yearnings levered on messianic ideologies, generating productive order and bodies to ‘redeem’ sufferings: polluted and barren plot of urban land of the contemporaneous city; in effect, a banished and besieged ethos – evidencing a defeated culture, advocating a destiny intended to becomes reality in the future and in death, a distant divine, represented by specialists, a time always to come, as a carrot before the snout.

Invading the west since the destruction of the ancient Ionia in the Mazdaism and Manichaeism rustic polarizations, an hierarchic and elitist theism, allied to a prosaic and rude power greediness, is the founding generator of all dogmatisms, oppositions or resulting wars, said to be ‘saint’ or not, fanaticisms and inquisitions.

But the superstratifying impulse typical of the ‘homo habilis’ and ‘oeconomicus’, still tied to rustics affection´s and warlike instincts, overcomes and transcends itself on ‘conatus’ (or glorious impetus) with the advent of the ‘homo sapiente-sapiente’, evolutionary graduation of the human species; equally, both natural and cultural, achievable since the paleolithic age – still under construction despite all handicaps.

The universal, cosmic or pantheistic consciousness, is the proper and natural frame to the children, spontaneously reencountered either with therapies, by artists, enthusiastic poets and avant garde, some philosophers: it´s the awakening of the little Jesus in each one´s heart, the only place where it may exist and ‘shelters’, as masterly described by Fernando Pessoa, as  Caeiro, in the poem: Num Meio-dia de Fim de Primavera” (On an End of Spring Midday).

…This    so   human    and    divine     child;
It´s     exactly     my     poet´s     daily    life,
And    this     is      why    he´s      always
Walking with me that I´m always a poet…

The consciousness´ magna amplification – as phenomenal, existentialist, poetic and philosophic realization – is the noblest intent updating and crowning this divine oneness    which is the acknowledgement of the entirety as appropriate, synchronic, original and genuine place of the truthful God and truthful Human.

Coming to know to be united on the most intense and original existential measures, integrated to the totality, is the central religious and mystic consciousness, which naturally used to reign, even Socrates inclusive, needing no description nor explicitness, prior to being submerged into the archaic tide of those who still believe being food for punishing gods and productive objects, or, exorbitant, unreasonable, imagining that being divine, enthusiastic and poetic, overcoming ruthless emotions, always restarting and re-signifying is being magic – levitate, walk over the waters and bringing the dead to life again!

Prior to the probable advent of more tragic hours, the legion of those who are sleeping on the illusive sub-consciousness, dreaming being admonished by esoteric representatives from the other world, being divided into themselves, separated from the essence, launched on a land of struggles and iron – thus, believing and living separations and consecrating enduring bloody disunions – should be awakened.

How can one imagine him/herself being separated, astray from his/her own existence, which is the verb “To Be” conjugated on the present day´s reality: necessary effect of the original ‘substance’? To believe being separated from this existential essence – which, not being a vacuum, can only happen spouting out and manifesting itself – is to believe as not existing, it is to mistake depressive dreams, lack of resiliency, accidental confining on aridness without flowers nor birds, with what´s real.

Pantheism! Pantheism evokes not only the Greek´s ‘hen kai pan’ (all is one); but, equally the ‘Om’ of the mantras, of Yoga and of Zen, inciting to recall (anamnesis) this union sealing life in the sublime´s same matrix, in the child´s spirit, on the happening synchrony, on the manifesting archetype, in yourself who is reading this, prior to suffering the anathema and having to live with the unchallenged idea of having been thrown into the ‘matter’ to purge sins not belonging to you.

To be a pantheist is to understand that the Beautiful does not reside on death, on the beyond life, at any place impossible to reach, as the theistic imagine, but that intensely tolls every morning with the singing of the rooster and nature´s lighting, on the endless vitality flow, and that for this reason transcends us! Life is a potentially endless performance; sublime and beautiful when it presents itself and rejoices on a respected nature, in a child received with this ‘Namasté’: a generous performance taking place one way or another. Divine, on the existential sphere where one makes politics, is an endless power, eternally creative and novel!

How poor are they who are still living tied to the scholastic archaic logicities; confusing methods and ‘mathemathisms’ with ‘things-in-themselves’, deprived from the necessary subject.

How poor are they who do not know how to acknowledge the mystery, the great paradox, determining the spiraled and endless creative evolution, the Cosmos which is the absolute ‘verbum’ and endless object in itself, oneness that spouts out from itself on endless processes and cycles.

How poor and ungrateful are they who believe that life is a purgatory – life where the flowers, butterflies, children, and youngsters come to light, all these are ‘beings’ that united among themselves and their context, in harmony, configure, ‘in totum’ the Great Being.

How poor are they who see life as something illusive, a mortal introduction of a post-mortem paradise, immobilized in crystalline perfection, but given to ‘accidents’: do not see and do not acknowledge the beauty and the grandeur of being what they are; they are not poets, nor are they autopoeitic, they are objects on the rules and proverbs claws, they live under the myths whose ancestors created interpreting and meaning symbols.

Being grateful, honored and worthy is to celebrate life with the nobility and sobriety of an Epicurus, with the firmness and strength of stoics such as the ‘Epitetus’ and ‘Senecas’, with the guts and fearlessness of Socrates, who at the decayed Athens square used to dare saying and reporting the beauty, breaking the dogmas, raising the knowledge to the height of the mystery encountered when one acknowledges that truth overcomes those things of the rational speculation, willing to transform the scholar ‘logicities’ of the small calculating reason into a boundary, determining what must be, describing what is and what isn´t!

I know that I know nothing: is the sentence determining that humbleness is to recognize that the Beautiful can´t be narrated on scriptures and dogmas, but that appears and reveals itself to rule when resting in contemplation, beyond the rationalizations limits ‘x’ and ‘y’, this or that, all or nothing, heaven and hell.

I know that I know nothing is the just and wise sentence indicating the great mystery one knows very well, but which is not said because it is empty of polarized distinctions, deprived of ‘hierachisms’ and ‘logicities’ moving things and representations. I know that I know nothing is to recognize and know this totality with deep feeling and good sense, with the qualified reason and the wise men ‘paradoxia’, either from Ionia, from the ‘himalaias’, from the mountain ranges, Andean Cordillera or from the tropical forests, from the sea coasts and from deserts, hidden in the metropolis: men and women who knew how to preserve the oneness and veracity of the children!

O que é Consciência Política? ~ What´s Political Conscience?


jardim-de-flores

O vento leva as folhas secas, vêm as flores

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Por conta de sermos, como cultura, abarrotados de razões históricas, tradicionais, prezadas, aclamadas, comparadas e relativas, são poucos, até mesmo nas fileiras dos mestres em filosofia, os que pensam profundamente e desembaraçados, os que meditam. Não são raros os que apenas lembram das suas intuições e visões, demais aportes cognitivos da contemplação, imagens e significados que aparecem no repouso, apenas acidentalmente, indo dormir com estômago cheio ou outros desconfortos. Os sonhos, as visões e intuições, próprios e verdadeiros, profundos, transcendem as rotas habituais da cognição e a logicidade dos enunciados onde se quer distinguir tudo através de proposições cuja não contraditoriedade, bem no fundo, enraíza na vã tentativa de sempre querer afirmar e diferenciar, categoricamente, um sujeito imaginado autonômico, observando e percebendo objetos e utilidades ilusoriamente imaginados outros, ‘coisas em-si’. Uma incômoda carência de saber assentada na ideia prepotente de que o que existe para se sentir, tocar e abraçar, é menor, inferior ao que se pode cogitar em gabinete; nessa cultura em que vivemos, desconhece-se a essência que ajunta e coliga o estado sociopolítico de ser ao ser natural, as coisas da visão, do sentimento, da razão, dos gestos às realizações privadas e públicas, a junção do estado-de-ser e do ser-do-estado, cuja harmonia se revela na verdadeira intuição.

Parodiando e retificando o que escreve Voltaire em Le philosophe ignorant XXIV: “(…) les hommes se conduisent par la coutume et non par la métaphysique (os homens se conduzem pelo hábito e não pela metafísica), digo: uma vez marcado e batizado, adentrado numa cultura e ritos correspondentes, os homens que não costumam contemplar e meditar, os que mal pensam por renegarem a sua intuição juvenil e essencial, ou pré-predicativa, são conduzidos pelos hábitos, através de tabuadas e cartelas, sem compreender e dominar a metafísica que os ordena e condiciona.

Bem examinado ou não, as relações profundas que se constituem entre a consciência e a natureza fundamentam a qualidade política do processo existencial. A definição e apreciação dessas relações engendram perspectivas filosóficas fundamentais, que determinam a conduta dos humanos, logo, a política das nações, a distribuição e usufruto dos bens e valores. Essas perspectivas equacionam as dificuldades e problematizações existenciais, regimentam as vocações, dedicações, ordenamentos societários, tempos de paz e tempos de guerra. Não passa desapercebido, por ninguém dotado de sensibilidade e bom-senso suficiente, ciente de alguns vislumbres históricos, que as extrapolações e projeções idealistas e futuristas, típicas das teologias onde se imagina e advoga uma consciência acidentalmente metida na natureza, incentivam doutrinas onde, nas mesmas referências, se conjugam ideologias, políticas e justiças acidentais, insensíveis e autoritárias.

Na infância própria, na época das primeiras aventuras, conquistas e grandes descobertas marítimas; nos fragmentos da filosofia primordial dos pré-socráticos e antigos mestres de saber; nesses lugares onde trocas sinceras, sorrisos e olhares esperançosos aconteciam; nos confins embrumados dessa bolha idealística, antes dos descaminhos, bifurcações e encruzilhadas, na origem, nos lumes e portais introdutórios, erguiam-se, em diversas dimensões, promissórios projetos de verdade, circulavam moedas lastradas em coisas úteis e sólidas, usufruíam-se valores em que o ouro e as pedras preciosas, ostentados em objetos de arte, decoravam casas e jardins. Valia o momento em que se apreciava e saboreava contemplando a magnificência das flores, das fontes e pomares. Era o tempo da sua infância onde tudo fazia sentido, porque tudo comungava e se conhecia de imediato, fusionando a consciência amorosa e lúcida, estética e abstrata, com as formas das coisas, cujas linhas, cores, sabores, perfumes e sons deslizavam em harmonia nas ondas vibrantes do próprio pensamento.

Deixar de encontrar e celebrar, espontaneamente, em si mesmo e por si mesmo, o valor da vida nas suas dimensões mais amplas e universais, embrutecido pelos impactos das doutrinas que renegam o que é óbvio três vezes – afirmando não ser o nascido parte da totalidade entendida como suprema e divina; invocando um espírito alheio e separado do corpo infinito da realidade; advogando uma origem e enraizamento locados além do mundo que se pode conhecer e saber – leva a uma vereda de estranhamento e perdição, a uma inércia desatenta, a um torpor que estamos sofrendo e amargurando, na proporção em que escolhemos deixar de sondar as nossas intuições e visões, desistindo de meditar e contemplar, de pensar profundamente, por omissão, carência de resiliência, desinteligência ou simples insensibilidade.

Sabemos, do fundo dos nossos corações, na seiva das nossas raízes, nos vislumbres das visões que ainda podemos ter no halo desses sonhos embrumados, que poderia ser diferente. Uma suspeita inquietante, proporcional ao desassossego que acontece por ter que viver o que não se é, exige uma profunda discussão para desvendar e deixar claro que, para todos os viventes, seria bem melhor que não fosse assim.

Envolvido nessa relação rompida, o ser humano se encontra artificiosamente afastado da relação unitária e comunhão psicofísica natural e espontânea, para vislumbrar projetos e criar objetos a partir de um distanciamento cultista da sensibilidade e exacerbação da razão exercitada em coordenadas lógicas, investindo força vital em efemeridades e utilidades, construindo estruturas que consomem e objetivam, reforçando a fragmentação da consciência, enfraquecendo a vitalidade.

Pensando bem, artificial é observar tudo como se fosse um visitante do além mundo, um ser sem raízes cósmicas, um alienígena destituído de respeito. A ação natural e precípua do ser humano só pode ser embasada em manipulações cientes, gestos e toques pensados e sensoriais, as atividades mais belas e acertadas frutificam quando as coisas utilizadas, preparadas, aparelhadas, são tratadas com plena atenção e consideradas como prolongamentos do próprio corpo – nesse caso, cuidar-se-ia das plantas, grama, árvores e construções, como as mulheres cuidam dos cabelos. Sentir-se vivo e presente, significante, impregnado de realidade, aconteceria com uma força similar à das águas de rocha que se lançam nos vales, fertilizando a vida. Atento, ligado, respeitando a fonte que alimenta e cria, o estado-de-ser sustentaria a sua original lucidez, lembraria os saberes imediatos e pré-predicativos que originam da comunhão experiencial, da imersão psicofísica natural. É esse o caminho vital, a via que empreendida com a totalidade da inteligência, cinestésica, sensível e razoável, permitirá uma retomada de consciência, uma percepção de raiz engajada com o ato de ser em contexto.

Conhecer prezando a união firme e inelidível da consciência e do mundo, não negando essa junção impermeável aos silogismos, por isso paradoxal, faz uma diferença monumental, civilizatória. É a diferença que há entre conhecer o mar de um monte elevado e distante, descrevendo as cores, o movimento, e conhecer o mar nadando com os peixes, imerso nele. Um conhecimento de contato imediato, que desliza na textura do real, vencendo o desencaixo artificioso e cult equacionado nas articulações subjetivistas, para conhecer o grande momento onde a duração e dimensão absoluta revelam-se em todas as suas sensíveis e sensatas espessuras. Trata-se de um saber talentoso, de uma arte de conhecer típica dos animais, das crianças, dos artistas mais sensíveis, dos poetas inspirados, algo genuíno: mas, notoriamente ausente em muitos pensadores, atrofiado por desuso e desprezo. Admirar tudo em dimensões amplas onde se agregam à totalidade da experiência, as apreciação estéticas e a capacidade de abstrair, sem nada desconsiderar e desprezar de significativo, antes de pensar a respeito do que se vive e do que se é, tem sido acusado e denunciado de ‘psicologismo’, ‘antropologismo’ – como se sentir,  intuir, imaginar e visionar fossem especialidades avessas à técnica filosófica, como se um ser humano, lúcido e natural, não pudesse ser um filósofo.

Quando se quer peneirar a ‘pureza das ideias’ renegando as comunhões do sentir profundo, o que já é puro por ser inteiro e natural, se torna artificioso e fragmentado, insensível e altaneiro, afastado do que é real, falso, o contrário do que se prega. A pureza que se necessita é a que foi banida: é a verdade e alegria das crianças e dos povos primitivos; uma pureza verdadeira e real que agrega em união firme e indissociável o pensamento e o sentimento numa lucidez que existe sem razão necessária, sem meta objetiva e sem querer viver além; apenas nessa ordem essencial o verbo maior e regente poderá ser amar.

Na perspectiva filosófica monista, no sentido dessa comunhão panteística que reconhece a convergência unitária da consciência e do mundo, é no momento presente, assentado na totalidade da criação, universal e cósmica, enraizado em dimensões infinitas e princípios unificadores que, numa graça plena e perfeita, nada deixando de fora, se colocam todas as pretensões existenciais, do centro mais original, gonadal, até os confins, igualmente, estéticos e abstratos: revelações da razão sensível e manifesta ao longo de todo o eixo existencial que se equaciona das raízes ancestrais até as dimensões visionárias, em que se desenvolvem, em processos criativos e infindos, todas as energias cósmicas. A natureza que se manifesta pertence ao vivente e carrega em si os potenciais da vida. Trata-se de uma natureza lastrada numa atualidade e presença que se contempla e se aprecia a partir de si.

Mesmo se esfacelada, desmembrada, a grandiosidade se manifesta: pequenas frações do belo jardim da verdadeira cidade, como deveriam existir à luz da razão natural, ainda podem ser encontrados nas curvas de alguns rios, onde o fluxo das águas teima em desenhar melhor o justo perfil das margens apesar dos diques. Nessa perspectiva metafísica cosmo-existencial, os valores se usufruem no presente que é real e grandioso, apesar das desfigurações políticas e citadinas instituídas pelos que extrapolam e mutilam a vida da sua seiva e substância vital, substituindo as simplicidades e o bom-senso dos povos ancestrais em deslocamentos e estereotipias teocráticas e sociocráticas.

Acomodados em edifícios remanescentes de impérios, catedrais projetadas em arquiteturas visionárias, assentados em púlpitos, os arautos do teísmo, desprezam, desnaturam e desintegram, a relação unitária da consciência e do cosmos, em prol de uma vida imaginada extracorpórea e um mundo extrafísico; substancializam o absoluto e espiritualizam os sujeitos para apontar um caminho sobrenatural onde no além, em esferas destituídas de mensuras sensíveis, se encontraria a paz e a felicidade; os representantes desse projeto sobrenaturalista, anunciado por escolhidos e referente a seres essencialmente diversos, demandam uma dupla rendição: do bom-senso a favor de uma fé em visões desentendidas, da razão a favor da crença em narrativas dogmáticas.

Efetivamente, a desunião teísta descarta e pune a apreensão imediata e contemplação da estrutura unitária do real, para motivar dois desentendimentos e desvios potencialmente fatais à vida no planeta: uma objetificação da realidade, mercado globalizado, monoculturas e megalópoles, reduzindo seres humanos a recursos e números; um deslocamento da esperança em direção ao além: instaurando-se uma relação vital desnaturada e fantasmagórica, semeadora de depressão, geradora de anomalias urbanísticas e políticas, processos de desertificações e aridificações. Nessas equações existenciais duvidosas e incertas, cada vivente é levado a decidir: posicionar-se como nasceu, rebento da grande estrela e terra, ou como foi batizado nas culturas que crucificam a rosa dos ventos e renegam a realidade da vida a favor da morte.

A esperança existe em cada um dos viventes, posicionado numa legitimidade e ordem explicitadas nos átomos constituintes, reside um gênio natural, acordado ou adormecido, em alguma posição intermediária, mas apto a se manifestar de imediato: uma presença portentosa que comove por conter a mesma e idêntica força e beleza da natureza.

Tornou-se emergencial reaprender a conhecer, reencontrar o saber e verbo perdido, reconhecer o que é real para fundamentar uma nova visão e boa política onde a riqueza e glória de viver possam assentar no lugar adequado, no momento em que se vive: a eterna duração do presente que se demonstra e revela nas ideias ampliadas, igualmente estéticas e abstratas, aos que sabem conhecer de imediato, antes de pensar a respeito, e aos que sabem pensar de acordo com o que se denota bem, sendo o que se é de verdade: uma realização cósmica onde se manifesta a grandeza da Santa e Sagrada Natureza que somos, cada um trazendo em si uma cota desses mistérios que se comungam e que nos vitalizam.

What´s Political Conscience?


Dry leaves are taken away by the wind, then flowers bloom

Régis Alain Barbier, Aldeia, 2013

Because we are, as culture, overfilled with historical, traditional, appraised, acclaimed, compared and relative reasons, few are, even on the lines of philosophy masters, those who, deeply and freely think, those who meditate. They are not rare those who only  remember their intuitions and visions, other contemplation cognitive contributions,  images and meanings appearing during rest, only by accident, when one goes to sleep with the stomach full, or with other discomforts. The dreams, visions and intuitions, proper and truthful, profound, transcend the usual routes of cognition and the logical structure of statements, where one wants to distinguish everything through propositions whose non-contradictoriness, deeply establishes itself in a vain attempt of always willing to categorically assert and differentiate an imagined and autonomic subject, observing and perceiving objects and utilities illusively conceived as others, ‘things-in- itself’. An uncomfortable needfulness of knowing settled on the all-powerful idea of what exists to be felt, touched and embraced, is smaller, less important than what can be imagined in an office; on this culture we live in, one does not know the essence that joins and colligates the sociopolitical state-of-being to the natural living being, the things of vision, of feeling, of reason, from the gestures to the private and public accomplishments, the junction of the state-of-being and of the being-of-the-state whose  harmony reveals itself on the actual intuition.

Parodying and rectifying what Voltaire wrote in ‘Le philosophe ignorant XXIV:´ “(…) les hommes se conduisent par la coutume et non par la métaphysique ‘(The Ignorant Phylosopher XXIV’: “(…) (men behave themselves by the habits, not by metaphysics)”, I assert: once marked and baptized, entered into corresponding culture and rites, men who aren’t used to contemplate and meditate, those who hardly think for they deny their juvenile and essential or pre-predicative intuition, are directed by habits, through multiplication tables and tickets, without understanding and dominating the metaphysics that ordains and regulates them.

Well examined or not, the deep relationships which are developed between conscience and nature, establish the political quality of the existential process. The definition and appreciation of these relationships cause to imagine fundamental philosophical perspectives, determining the human being´s behavior, and immediately, the nations´ policy, the distribution and usufruct of goods and values. These perspectives equate the existential difficulties and problematic situations, regulating vocations, dedications, societarian ordainments, times of peace and war. It´s evident to anyone endowed with sufficient  sensitiveness and good-sense, aware of some historical glimpses, that the idealistic and futuristic extrapolations and projections, typical of the theologists where one can imagine and support  a consciousness accidentally embedded in nature, estimulate doctrines where, on the same references, political ideologies and accidental, ruthless and authoritarian justices are simultaneously joined.

In tender age itself, at the time of the first adventures, conquers and great maritime discoveries; on the pre-Socratic and ancient masters of knowledge primordial philosophy fragments; in these places where sincere exchanges, smiles and hopeful looks used to happen; in the hazed boundaries of this idealistic bubble, prior to the misleadings, bifurcations and crossways, at the origin, in the introductory lights and façades, promising truthful projects used to emerge in several dimensions, coins, ballasted on useful and solid things used to circulate, gold and precious stones, displayed on art objects decorated houses  and gardens. The moment when one could appreciate and flavor, contemplating the splendor of the flowers, fountains and orchards was worthwhile. It was the time of your childhood when everything used to make sense, because everything communed and was immediately acknowledged, fusing the amorous and lucid, aesthetic and abstract conscience, with the forms of the things, whose lines, colors, flavors, aromas and sounds used to harmoniously slide on the vibrating waves of thinking itself.

To avoid spontaneously encounter and celebrate in itself and by itself, the value of life on its widest and universal dimensions, brutalized by the doctrines´ impacts three times denying what´s obvious – asserting that he/she who has been born is not part of the entirety understood as supreme and divine; invoking a strange spirit separated from the reality´s endless body; defending an origin and rooting placed beyond the world one might acknowledge and understand – leads to an unfamiliarity and perdition trail, to an absentminded inertia, to a numbness we´re suffering and grieving, as we choose not to appraise our intuitions and visions, quitting to meditate, contemplate and deeply think, neglectfully, due to lack of resiliency, misunderstanding or simple unfeelingness.

We acknowledge, from the bottom of our hearts, in the sap of our roots, in the shimmers  of the visions we still can have on the halo of these misty dreams, that it could be different. An annoying suspicion, proportional to the restlessness occurring just by having to live what one isn´t, requires a profound discussion to unveil and leave it clear that, to all living beings, it would be much better if it weren’t so.

Involved on this broken off relationship, the human being finds him/herself deceptively separated from the unitarian relationship and natural and spontaneous psychophysical communion, to shimmer projects and create objects from a cultist withdrawal of sensitivity and exacerbation of logical reason, investing vital force on ephemeralities and utilities, building consuming and objectifying structures, reinforcing conscience´s fragmentation, and weakening vitality.

Further considering, artificial is to observe everything as if you were a visitor from the other world, a being without cosmic roots, an alien deprived of respect. The human being´s natural and foremost action can only be based on conscious manipulations, thoughtful and sensorial gestures and touches; the most beautiful and wise activities fructify when all used, prepared and equipped things are treated with full attention and considered as extensions of his/her own body – in this case, one would take care of plants, grass, trees and constructions, as the women take care of their hair. Feeling alive and present, meaningful, impregnated with reality, would occur with a force similar to that of the rock waters sprouting from the valleys, fertilizing life. Thoughtful, connected, respecting the fountain that feeds and creates, the state-of-being would sustain its original brightness, would remember the immediate and pre-predicative wisdoms originating from the experimental communion, from the natural psychophysical immersion. This is the vital way, the route which, if kinesthetically, sensibly, and reasonably accomplished with full intelligence, will allow a conscience´s   retrieval, a root perception engaged with the act of being in context.

Knowing, esteeming the conscience´s and the world´s firm and unreadable union, not denying this syllogisms impermeable junction, paradoxical for this reason, makes a civilizing magnificent difference. It is the difference that exists between knowing the sea from a high and distant mountain, describing the colors, the movement, and know the sea swimming with the fish, immersed into it. An immediate contact knowledge that slides into the texture of the real, triumphing over the skillful and cult dislocation equated on the subjectivist articulations, in order to know the great moment where the duration and absolute dimension reveal themselves in all their sensitive and sensible thicknesses.  It deals with a talented knowledge, of an art of knowing typical of the animals, children, most sensitive artists, inspired poets, something genuine: but, notoriously absent in many thinkers, atrophic due to disuse and disdain. To admire everything on huge dimensions where the entire experience, the aesthetic appreciations and the capacity to abstract are aggregated,  without taking into consideration and despising what´s meaningful, prior to thinking about what one lives and is, has been accused and denounced as ‘psychologism’, ‘anthropologism’ – as if feeling, intuitively thinking, imagining and visioning were specialties contrary to the philosophic technique, as if a lucid and natural human being couldn´t be a philosopher.

When one wants to sieve the ‘purity of ideas’ denying the communions of the deep feeling, what is already pure because it´s entire and natural, it becomes skillful and fragmented, insensible and soaring, distant from what´s real, false, just the contrary of what one preaches. The purity needed is that one which was banished: it´s the children´s and primitive people´s truth and joyfulness; a truthful and real purity aggregating into a firm and unsociable union the thinking and the feeling in a brightness existing without needful reason, without objective aim and without willing to live far beyond; only on this essential order the major and ruling verb might be ‘to love’.

On the monist philosophic perspective, in the sense of this panentheist communion recognizing conscience´s and the world´s unitarian convergence it is, at the present moment, seated upon the entirety of the universal and cosmic creation, rooted into endless dimensions and unifying principles that, in a full and perfect gracefulness, nothing is left outside, from the most original, gonadal center, till the equally aesthetic and abstract boundaries: revelations from the sensible and evident reasoning along the entire existential axis that equates itself from the ancestral roots to the visionary dimensions, on which, in creative and endless processes, all cosmic energies are developed. The manifesting nature belongs to the living being and carries in itself all life´s potentials. It is nothing but a nature ballasted on a  present time and presence which is contemplated and appreciated as of  yourself.

Even if broken up in pieces, dismembered, grandiosity manifests itself: small fractions of the true city beautiful garden, as should exist at the light of natural reason, can still be encountered on the curves of some rivers, where the water streams insist in better designing the just profile of the banks despite the existing dams. Based on this metaphysical cosmos-existential perspective, values usufruct themselves in the present moment which is real and grandeur, notwithstanding the political and unban disfigurements established by those who extrapolate and cripple the life of their vital sap and substance, replacing the simplicities and good-sense of the ancestral people in theocratic and socio-cratic displacements and stereotypies.

Being comfortably installed in empire remaining buildings, cathedrals designed in visionary architectures, seated in pulpits, the theism heralds despise, denature and disintegrate conscience´s and cosmos´ unitarian relationship, in favor of an extra-corporeally imagined life and an extra-physical world; they substantialize the absolute and spiritualize the subjects in order to indicate a supernatural way where, in the other world, in spheres deprived of sensible measures, peace and happiness would be encountered; representatives of this super-naturalist project, announced by the chosen ones and regarding essentially diverse beings, call for a double surrender: of the good-sense in favor of a faith in misconceived visions, and of reason in favor of the belief in dogmatic narrations.

Effectively, the theist disunion discards and punishes the immediate apprehension and contemplation of the real unitarian structure, in order to motivate two potentially fatal misunderstandings and deviations to the planet´s life: an objectification of the reality, of the globalized world, monocultures and megalopoles, reducing human beings to resources and figures; a displacement of hope towards the other world: establishing an unnatural and phantasmagoric, depression sowing, urbanistic and political anomalies producing, desertification and aridness causing vital relationship. On these doubtful and uncertain existential equations, each living being is compelled to decide: to position him/herself as born, sprout of the great star and earth, or as baptized on the cultures that crucify the mariner´s compass card and denies life´s reality in favor of death.

Hope exists in each one of the living beings, positioned in a legitimacy and order made explicit in the constituting atoms, resides a natural genius, awaken or asleep, at any intermediate position, but apt to immediately manifest him/herself: a touching wonderful presence for it contains the same and identical nature´s strength and beauty.

It became emergent to re-study how to know again, reencounter the knowledge and the lost verb, acknowledge what´s real to establish a new vision and good politics, where living richness and glory can take a seat on an adequate place, at the time one lives: the present moment eternal length of time demonstrated and revealed on enlarged ideas, equally aesthetic and abstract, to those who know how to immediately perceive, prior to thinking about, and to those who know how to think in accordance with what is well denoted, being what truly is: a cosmic realization where the Saint and Sacred Nature´s grandeur is manifested on what we are, each one bringing in itself a portion of these mysteries which commune themselves and vitalize us.      

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